A bolsa de valores despencou 1,10% nesta terça-feira (27), fechando com 124.612,03 pontos. O movimento de queda acompanha os números em Wall Street, onde os principais índices ficaram negativos, com os investidores realizando lucros referentes às recentes altas e se precavendo antes da reunião do Fed.
Hoje, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) começou sua nova reunião de política monetária, que se encerra amanhã, e os agentes mercado financeiro correram para se garantir para qualquer resultado. E isso quer dizer: cautela. Isso porque a Covid-19 e a inflação preocupam bastante e o Fed talvez precise agir.
No Brasil, enquanto Ítalo Ferreira ganhou a primeira medalha de ouro para o país, no surfe, o governo federal se entregou de vez ao mar agitado do Centrão, grupo de partidos fisiológicos que está em todo governo desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP). Ciro Nogueira (PP-PI), o tubarão dono do PP, partido com mais enrolados na Lava-Jato, assume a Casa Civil e vai distribuir cargos e dinheiro para quem quiser esquecer qualquer papo de impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido).
Um governo, enfim, que vai surfar na onda da estabilidade?
Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 123.670,33 pontos (-1,85%); e na máxima, 126.025,78 pontos (+0,02%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 25,900 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (26): +0,76% (126.003,86 pontos)
- terça-feira (27): -1,10% (124.612,03 pontos)
- semana: -0,36%
- julho: -1,73%
- 2021: +4,69%
Juros
- D1F22: +0,04 p.p. para 6,23%
- D1F23: +0,03 p.p. para 7,64%
- D1F24: +0,03 p.p. para 8,16%
- D1F25: +0,04 p.p. para 8,42%
- D1F26: +0,03 p.p. para 8,58%
- D1F27: +0,02 p.p. para 8,76%
- D1F28: +0,01 p.p. para 8,86%
- D1F29: +0,05 p.p. para 9,00%
- D1F30: +0,04 p.p. para 9,06%
- D1F31: +0,03 p.p. para 9,20%
Dólar
O dólar ficou praticamente estável. A moeda norte-americana ganhou 0,06% e passou a valer R$ 5,1775.
- segunda-feira (26): -0,70% a R$ 5,1742
- terça-feira (27): +0,06% a R$ 5,1775
- semana: -0,64%
Euro
- segunda-feira (26): -0,23% a R$ 6,1073
- terça-feira (27): +0,12% a R$ 6,1147
- semana: -0,11%
Criptomoedas*
- Bitcoin: -0,10% a R$ 196.405,61
- Ethereum: -1,57% a R$ 11.601,77
- Tether: +1,90% a R$ 5,18
- Cardano: -1,91% a R$ 6,49
- Binance: +0,14% a R$ 1.589,73
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
As ações dos EUA caíram pela primeira vez depois de seis sessões no azul.
A liquidação em Wall Street seguiu-se a mais um dia de pesadas perdas nos mercados asiáticos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu mais de 4% em meio à intensificação da repressão de Pequim às empresas de tecnologia e educação.
Mas não só. Os investidores estão aguardando a atualização do Fed sobre sua política monetária com o início da reunião de dois dias do banco central. O Federal Open Market Committee (FOMC) divulgará um comunicado quando a reunião terminar na quarta-feira, seguido pela entrevista coletiva do presidente Jerome Powell.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que há risco de que maré da inflação venha a ser mais do que apenas transitória. Ou seja, não é uma marolinha e os bancos centrais serão pressionados a tomar medidas preventivas.
Os preços mais altos aumentam as chances de os bancos centrais começarem a conter suas políticas monetárias ultra-acomodatícias. Como, por exemplo, a redução dos estímulos amigáveis ao mercado e a compra de ativos. O mar não está para peixe, diria o sábio.
A entidade já havia apontado que, se os Estados Unidos continuasse ou aumentasse as políticas monetárias, poderia aumentar ainda mais as pressões inflacionárias e levar a um aumento das taxas de juros antes do esperado.
Recentemente, os investidores buscam entender se onda do aumento dos preços ao consumidor veio para ficar. Nos EUA, o índice de preços ao consumidor atingiu 5,4% em junho, o ritmo mais rápido em quase 13 anos. No Reino Unido, a taxa de inflação atingiu 2,5% em junho, o nível mais alto desde agosto de 2018 e acima da meta do Banco da Inglaterra de 2%.
Já no Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, ficou em 0,72% em julho.
Mas, ao contrário do que diz o FMI, o Fed está remando contra essa maré. A instituição parece um pouco mais propensa a manter sua política monetária ultra-fácil em vigor do que se esperava há apenas algumas semanas.
Os funcionários do Federal Reserve provavelmente expressarão preocupação com a rápida disseminação da variante delta do coronavírus. E isso é um alívio, porque parecia que os “homens do mercado” haviam esquecido do problema que ainda persiste não só nos Estados Unidos, mas em países relevantes economicamente, como Índia, Brasil, Rússia, Japão, Indonésia e Malásia.
O mercado está esperando uma resposta do Fed sobre seus planos de reduzir a compra de títulos, o primeiro grande passo para flexibilizar a política, o tal tapering que muita gente tem escrito e ouvido falar nos últimos tempos.
“Essa era para ser a reunião em que eles estavam realmente focados na redução gradual”, disse Mark Cabana, chefe de estratégia do Bank of America, em declaração à CNBC. “Achamos que o mercado vai acabar ouvindo Powell soar neutro para dovish, em pelo menos do ponto de vista do mercado de taxas, principalmente porque ele continuará falando sobre a Covid-19”.
O Fed divulga um comunicado amanhã (28), após sua reunião de dois dias. O presidente do Fed, Jerome Powell, falará à mídia na sequência.
Os observadores do Fed esperam que as autoridades discutam a redução de suas compras mensais mínimas de US$ 120 bilhões do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas. Eles também esperam que isso comece a se desfazer no final deste ano ou no início de 2022.
Powell também deve manter a visão de que a inflação é temporária e desaparecerá após uma explosão de gastos com demanda reprimida e conforme os problemas da cadeia de abastecimento forem resolvidos.
“No comunicado do FOMC, eles falam sobre como a trajetória da economia depende da trajetória da Covid”, disse Cabana. “Por isso, eles naturalmente vão parecer cautelosos. Eles vão falar em redução, mas isso parecerá uma formalidade, dado o fato de que eles terão que observar que há riscos crescentes”.
A desaceleração das compras era esperada para começar antes do final do ano. O Fed deve começar a discutir seriamente a reversão de suas compras de títulos no final de agosto.
A expectativa geral é que o Fed demore até um ano para encerrar as compras e, a essa altura, poderá estar aberto a elevar as taxas de juros. Há previsão de dois aumentos nas taxas de juros em 2023.
Nova York
- S&P: -0,47%
- Nasdaq: -1,21%
- Dow Jones: -0,24%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): -0,92%
- DAX (Alemanha): -0,64%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,42%
- CAC (França): -0,71%
- IBEX 35 (Espanha): -0,87%
- FTSE MIB (Itália): -0,83%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): -2,49%
- SZSE Component (China): -3,67%
- China A50 (China): -3,97%
- DJ Shanghai (China): -2,96%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -4,42%
- SET (Tailândia): -0,48%
- Nikkei (Japão): +0,49%
- ASX 200 (Austrália): +0,50%
- Kospi (Coreia do Sul): +0,24%
Brasil: ambiente político e econômico
O Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe), que mede a inflação em São Paulo, acelerou de 0,87% para 0,90% na terceira leitura de julho.
Houve avanços nos preços dos grupos Habitação e Alimentação, na comparação com a quadrissemana anterior.
O mar anda revolto por todo o planeta.
Apesar do avanço da inflação, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE, como se viu ontem, subiu 1,3 pontos em julho, para 82,2 pontos, maior valor desde outubro de 2020 (82,4 pontos). Em junho, o avanço foi maior, de 4,3 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice subiu 3,2 pontos em julho, segundo aumento após seis meses consecutivos de queda.
“A confiança dos consumidores segue em recuperação pelo quarto mês consecutivo. Há uma melhora das perspectivas futuras, mas o índice que mede a situação atual continua rodando em torno dos 70 pontos, mostrando que, apesar do otimismo, os consumidores vem tendo dificuldade de recuperação financeira, principalmente as famílias de menor poder aquisitivo que tem mais dificuldade de obter emprego”, afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da pesquisa. Segundo ela, o cenário futuro depende do desenrolar da vacinação e das variantes do vírus.
Hoje foi a vez do Índice de Confiança da Construção, medido pela FGV, que subiu 3,3 pontos em julho, alcançando 95,7 pontos, o maior nível desde março de 2014 (96,3 pontos). Em médias móveis trimestrais, o índice avançou 3,6 pontos, a segunda alta consecutiva.
Além disso, o superávit em conta corrente caiu no mês de junho, de acordo com o Banco Central, mas há superávit. Totalizou US$ 2,8 bilhões ante superávit de US$ 3,1 bilhões em junho do ano passado. A projeção do mercado era por superávit de US$ 3,8 bilhões.
Na comparação interanual, o superávit comercial aumentou para US$ 1,4 bilhão.
No campo político, na crista da onda, está o Centrão. E Ciro Nogueira, senador pelo Piauí que já surfou na onda do ex-presidente Lula (PT-SP) e agora embarca na de Bolsonaro.
Se do ponto de vista ético e eleitoral é um acinte aos seus eleitores, que caíram na lorota de Bolsonaro de que ele odiava o Centrão, mesmo ele mesmo sendo Centrão desde o início da sua vida política, do ponto de vista prático, é a salvação do campeonato, ou do mandato, já que o governo federal coloca no comando do país o pragmatismo por verbas e cargos da turma de Nogueira e isso garante ao inquilino do Palácio do Planalto uma certa tranquilidade, em meio a mais e mais denúncias de corrupção no Ministério da Saúde e com a CPI da Pandemia avançado aceleradamente nesse mar revolto.
Em outras palavras, se o mar estava agitado, ele pode ficar calmo e garantir um pouco de estabilidade ao governo para avançar com as reformas que diz defender.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, 18 subiram, 1 ficou estável (JBSS3) e 65 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Vale (VALE3): R$ 114,18 (-2,08%)
- Petrobras (PETR4): R$ 27,15 (-1,16%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,82 (+0,98%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 24,34 (+0,79%)
- Méliuz (CASH3): R$ 67,70 (-8,51%)
Maiores altas
- CPFL (CPFE3): R$ 26,48 (+1,89%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,82 (+0,98%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 24,34 (+0,79%)
- CPFL (CPFE6): R$ 6,07 (+0,66%)
- Itaúsa (ITSA4): R$ 11,25 (+0,63%)
Maiores baixas
- CVC (CVCB3): R$ 22,92 (-5,21%)
- PetroRio (PRIO3): R$ 17,95 (-4,27%)
- Locaweb (LWSA3): R$ 26,16 (-3,93%)
- Banco Inter (BIDI11): R$ 76,78 (-3,78%)
- Braskem (BRKM5): R$ 58,00 (-3,73%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -1,25% (54.024,55 pontos)
- IBrX 50: -1,22% (21.062,49 pontos)
- IBrA: -1,23% (5.082,02 pontos)
- SMLL: -1,95% (3.015,01 pontos)
- IFIX: -0,28% (2.817,51 pontos)
- BDRX: -1,28% (13.328,30 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (outubro)/barril
- segunda-feira (26): +0,54% (US$ 74,50)
- terça-feira (27): -0,24% (US$ 73,52)
- semana: +0,30%
Petróleo WTI (setembro)/barril
- segunda-feira (26): -0,22% (US$ 71,91)
- terça-feira (27): -0,36% (US$ 71,65)
- semana: -0,58%
Ouro (agosto)/onça-troy
- segunda-feira (26): -0,14% (US$ 1.800,40)
- terça-feira (27): +0,03% (US$ 1.799,80)
- semana: -0,11%
Prata (setembro)/onça-troy
- segunda-feira (26): +0,39% (US$ 25,32)
- terça-feira (27): -2,23% (US$ 24,75)
- semana: +1,84%
Com Wisir Research, BDM e CNBC






