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Ambev: BTG recomenda compra da ação após 13 anos

Ambev: BTG recomenda compra da ação após 13 anos

Heineken dá sinais de maturidade de ciclo enquanto Ambev reconquista fatia de mercado no premium e retoma poder de pricing

O BTG Pactual elevou nesta segunda-feira (25) a recomendação das ações da Ambev (ABEV3) de neutro para compra pela primeira vez em 13 anos, elevando o preço-alvo de R$ 17 para R$ 20. O valor corresponde a um potencial de valorização de aproximadamente 22%.

A mudança representa uma das reversões mais significativas da história recente do banco no setor de alimentos e bebidas.

“Não fazemos isso de forma leviana. Nossa postura cautelosa foi uma das calls mais consistentes que já fizemos”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

Portfólio é o fosso que a concorrência não tem

A tese central do BTG é que a Ambev reconstruiu um portfólio de cervejas que a Heineken não consegue replicar. Pela primeira vez em mais de uma década, a empresa parece estar recuperando participação de valor no mercado brasileiro de cervejas.

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“O portfólio da Ambev agora compete de forma granular no núcleo, entrada premium e premium. É o fosso que a concorrência não possui”, destacam Duarte e Guttilla.

A Ambev ainda está sub-indexada no premium, com cerca de 50% de participação — contra 70% no segmento core —, o que representa espaço relevante para crescimento.

Pricing é o coração da tese de valorização

O poder de precificação é o motor central do upgrade. O BTG projeta ganho real de 1,4 ponto percentual ao ano no segmento de cerveja Brasil nos próximos anos.

“A precificação flui com capital incremental mínimo, e é por isso que ela é a alavanca que mais trabalha em nosso modelo”, explicam os analistas.

A Heineken, por sua vez, tem sido forçada a seguir os preços da Ambev — não mais a liderar.

ROIC caminha para regime premium

O ROIC da Ambev chegou a 31% em 2025 e o BTG projeta 37% até o final da década.

“A expansão é quase inteiramente uma história de giro de ativos: o capital investido permanece essencialmente estável até 2030, enquanto as receitas crescem via preço e mix”, avaliam Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

O downside é amortecido por posição de caixa líquido e dividend yield de 7%, que pode subir com recompras adicionais sobre um payout de 100%.