A São Martinho (SMTO3) encerrou a safra 2025/26 com uma receita líquida total de R$ 7,4 bilhões, avanço de 3,3% frente ao período anterior, com Ebitda Ajustado de R$ 3,5 bilhões e margem de 47,1%. O lucro líquido chegou a R$ 836,2 milhões, alta de 50,2% na comparação anual.
O quarto trimestre isolado foi o destaque da safra. A receita líquida de R$ 2,2 bilhões representou crescimento de 29,1% em relação ao mesmo período da safra anterior.
O principal motor foi o etanol: a companhia optou por concentrar 40% das vendas do biocombustível no quarto trimestre, capturando condições mais favoráveis de preço no mercado doméstico. O volume comercializado de etanol cresceu 37,6% no trimestre, com o preço médio avançando 4,0%.
O Ebtida ajustado no 4T26 somou R$ 1,09 bilhão, alta de 41,9% frente ao 4T25, com margem de 48,8%. Já o lucro líquido do trimestre foi de R$ 172,8 milhões, crescimento de 64,6%.
A operação de milho também contribuiu positivamente. No acumulado da safra, o processamento de 521 mil toneladas de milho gerou Ebitda de R$ 400,8 milhões, com margem expressiva de 39,2% — resultado da combinação de maior volume de etanol vendido, melhores condições de mercado para DDGs e redução do custo unitário da matéria-prima.
Chuvas escassas limitaram produtividade
A safra 2025/26 foi marcada por um regime pluviométrico abaixo do ideal durante o período crítico de crescimento do canavial.
O impacto foi sentido na produtividade agrícola, que recuou 4,1% na métrica de toneladas por hectare (TCH), e no ATR médio, que caiu 2,5% para 139,0 kg por tonelada de cana. No total, a companhia processou 21,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, produzindo 3.044,8 mil toneladas de ATR, queda de 2,0% na comparação anual.
Para compensar, a São Martinho ajustou seu mix de produção em setembro, direcionando maior volume de açúcares totais recuperáveis para etanol. A proporção açúcar-etanol ficou em 49%-51% no consolidado da safra, ante 45%-55% no período anterior.
As operações agroindustriais também apresentaram recuperação de eficiência em relação à safra 2024/25, quando incêndios em agosto de 2024 haviam interrompido atividades em algumas unidades.
O custo caixa dos produtos vendidos (CPV) totalizou R$ 3,4 bilhões no 12M26, redução de 2,9% na comparação anual, reflexo da maior eficiência operacional e do incremento de cana colhida em áreas próprias e arrendadas.
Dívida controlada e dividendos confirmados
A alavancagem da companhia encerrou a safra em nível confortável: a relação dívida líquida/EBITDA Ajustado ficou em 1,41 vez ao final de março de 2026, queda ante as 1,43 vez registradas em março de 2025. A dívida líquida somou R$ 4,9 bilhões, praticamente estável na comparação anual, com prazo médio de 5,4 anos e 91% classificado como longo prazo.
No período, a São Martinho captou novos recursos por meio de emissão de debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), diversificando suas fontes de financiamento. O retorno sobre o capital investido (ROIC) foi de 11,7% considerando terras próprias.
A companhia propôs a distribuição de R$ 198,6 milhões em proventos, sendo R$ 150 milhões já pagos na forma de juros sobre capital próprio durante a safra e R$ 69,9 milhões em dividendos ainda a pagar, equivalentes a R$ 0,2166 por ação.
Guidance 2026/27
Em fato relevante publicado na mesma data, a São Martinho divulgou suas estimativas para a safra 2026/27 (12M27), projetando uma retomada expressiva de volume e produtividade.
Para as operações de cana-de-açúcar, a companhia estima a produção de 3.370,0 mil toneladas de ATR, crescimento de 10,7% frente ao 12M26, com moagem esperada de 23,7 milhões de toneladas (+7,9%) e ATR médio de 142,5 kg/ton (+2,5%).
Os três pilares da expectativa de melhora são: normalização das chuvas no período de entressafra, que permitiu a recuperação do canavial; expansão da área de colheita com a aquisição parcial dos ativos biológicos da Usina Santa Elisa; e a adoção de melhores práticas agrícolas com uso de variedades genéticas mais produtivas.
Já a operação de etanol de milho deve processar 495 mil toneladas de milho (-5,0%), com produção estimada de 208,9 mil m³ de etanol (-5,4%). A queda reflete um período maior de manutenção na Unidade Boa Vista (GO), onde está em andamento a implementação da Segunda Fase da planta de etanol de milho — o principal projeto de expansão da companhia no ciclo.
No campo dos investimentos, o capex total para a safra 2026/27 está estimado em R$ 2,9 bilhões, alta de 5,1% sobre o realizado no 12M26. A maior parte corresponde ao capex de manutenção (R$ 2,0 bilhões, +1,3%), enquanto os investimentos em modernização e expansão saltam para R$ 800 milhões (+20,7%), concentrados na Segunda Fase do Etanol de Milho.






