O ex-presidente Jair Bolsonaro recorreu a Michel Temer para se orientar antes de prestar depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que investiga suposto golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo fontes próximas aos dois ex-mandatários ouvidas pelo portal Metrópoles e pela coluna de Bela Megale do Estadão, Temer recomendou que Bolsonaro adotasse um tom “sereno” e “equilibrado”, além de sugerir um gesto de reconciliação com o ministro Alexandre de Moraes.
A conversa entre os dois ocorreu na última sexta-feira (6), em São Paulo, onde Bolsonaro permaneceu até domingo (8), reunindo-se com advogados e aliados para preparar a estratégia de defesa. Temer, com trânsito próximo ao STF — especialmente com Moraes, que ele mesmo indicou para a Corte —, já havia ajudado Bolsonaro em momentos anteriores de crise institucional.
Pedido de desculpas e tentativa de distensionamento
Durante o depoimento à Primeira Turma do STF, ocorrido na quarta-feira (10), Bolsonaro seguiu a orientação de Temer. Reconheceu “teor inadequado” das críticas que fizera a Moraes e outros ministros em uma reunião ministerial de 2022, que agora servem de base para a ação penal.
“Não tem indício nenhum, senhor ministro. Tanto é que era uma reunião para não ser gravada. Um desabafo, uma retórica que eu usei. Se fossem outros três ocupando, teria falado a mesma coisa. Então, me desculpe, não tinha qualquer intenção de acusar de qualquer desvio de conduta dos senhores três”, declarou Bolsonaro.
Ainda no tom de descontração, Bolsonaro chegou a brincar, sugerindo que Moraes fosse seu vice na próxima eleição presidencial. Moraes recusou a proposta, mantendo a formalidade. Apesar de estar inelegível, Bolsonaro insiste publicamente na narrativa de que ainda poderá disputar o pleito.
Temer acompanha e aprova postura de Bolsonaro
Temer teria acompanhado de perto o depoimento e, segundo aliados ouvidos por O Globo, considerou que Bolsonaro “foi bem”, valorizando o gesto de desculpas e até mesmo a brincadeira com Moraes. Para o emedebista, a suavização do discurso ajudou a evitar novos atritos com o Supremo.
O depoimento
O depoimento de Bolsonaro integra a ação penal que investiga uma suposto golpe para impedir a posse do presidente Lula no fim de 2022. Ao lado de outros sete acusados, o ex-presidente responde por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Foi a primeira vez que Bolsonaro e Moraes se encontraram frente a frente em audiência na Corte. Embora já tivessem estado no mesmo ambiente durante o julgamento da denúncia em março, não houve interação direta entre os dois até então.
O gesto de Bolsonaro, amparado por conselhos de Temer, revela um possível reposicionamento político diante do STF — menos agressivo, mais tático.
Temer na Money Week 2025: os bastidores do poder
Michel Temer é convidado da 11ª edição da Money Week e promete trazer análises diretas e técnicas sobre os caminhos que o Brasil pode seguir nos próximos anos. Com um histórico marcado pela defesa da responsabilidade fiscal e por reformas estruturais, o ex-presidente vai abordar como o ambiente político influencia a confiança dos investidores e o crescimento sustentável da economia brasileira.
Temer também deve discutir os desafios institucionais que o país enfrenta e a importância da harmonia entre os Poderes para garantir estabilidade. Diante de um cenário de polarização política e imprevisibilidade fiscal, sua visão tende a ser um contraponto técnico, baseado na experiência de quem já lidou com crises econômicas e institucionais de grande impacto.
Além disso, a expectativa é que o ex-presidente comente sobre as eleições de 2026, apontando possíveis cenários e avaliando a viabilidade de uma candidatura da centro-direita.






