A eventual venda da V.tal para uma grande operadora poderia marcar um novo capítulo no processo de consolidação do mercado de banda larga no Brasil.
Em relatório, a XP avalia que a companhia hoje é o último grande ativo independente de rede neutra do setor — e que o cenário mais provável no médio prazo envolve algum tipo de operação de M&A.
A análise parte de um exercício teórico de valuation e de impacto financeiro para duas possíveis compradoras estratégicas: Vivo (VIVT3) ou TIM (TIMS3). A análise ressalta que não há indicação de negociações em andamento. Ainda assim, a simulação ajuda a entender o que poderia mudar no setor caso um acordo desse porte ocorresse.
Consolidação no setor de banda larga
Segundo a XP, o mercado brasileiro de banda larga começa a sair da fase de expansão acelerada e entra em um ciclo de consolidação.
O movimento é impulsionado por três fatores principais:
- a desaceleração do crescimento do setor,
- a busca por convergência entre serviços e
- o reposicionamento das redes neutras dentro da cadeia de telecomunicações.
Nos últimos anos, as grandes operadoras passaram a priorizar o controle direto da infraestrutura de fibra.
Esse movimento já apareceu em duas operações recentes. A Vivo comprou os 50% restantes da Fibrasil em 2025. Mais recentemente, a TIM adquiriu a participação que ainda não possuía na I-Systems.
Para os analistas da XP, essas transações indicam uma mudança estrutural na estratégia das operadoras.
“A lógica comum desses movimentos é assegurar controle total sobre infraestrutura crítica de FTTH, simplificar a governança e capturar sinergias operacionais”, afirmam os analistas.
Nesse contexto, a V.tal passa a ser vista como o último grande ativo independente de rede neutra no país.
Quanto valeria a V.tal
No exercício de valuation da XP, o valor da companhia depende principalmente das sinergias que um comprador estratégico poderia extrair da operação.
Usando como referência as transações recentes envolvendo Fibrasil e I-Systems, o estudo estima um valor de empresa (EV) entre cerca de R$ 15 bilhões e R$ 31 bilhões.
Esse intervalo corresponde aproximadamente a 1,0x a 2,0x EV sobre o capital investido, dependendo da intensidade das sinergias operacionais e comerciais.
Os analistas destacam que o múltiplo baseado em capital investido tende a ser mais adequado para ativos de infraestrutura como redes de fibra.
“O ROIC inicial tende a ser estruturalmente baixo devido ao capex elevado, mas os retornos convergem ao longo do tempo para a economia recorrente típica de infraestrutura”, afirma o relatório.
Em termos de valor para os acionistas, o equity value implícito ficaria entre R$ 14,6 bilhões e R$ 29,9 bilhões.
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O impacto para a Vivo
Se a V.tal fosse adquirida pela Vivo em uma transação integralmente financiada por dívida, o tamanho do negócio representaria algo entre 11% e 22% do valor de mercado da companhia, segundo a XP.
Mesmo assim, a operadora aparenta ter capacidade financeira para executar uma transação desse porte.
Nesse cenário, a alavancagem da empresa ficaria entre 1,1x e 1,6x dívida líquida/EBITDA após o negócio.
Para os analistas, esse nível ainda seria administrável, principalmente considerando a forte geração de caixa da Vivo.
“A companhia aparenta ter capacidade financeira para executar uma transação desse porte, caso deseje”, avalia a XP.
Do ponto de vista estratégico, a aquisição daria à Vivo acesso imediato à ampla rede de fibra da V.tal.
Mais de 80% dos clientes da Nio/Oi estão em cidades onde a Vivo já opera, o que sugere forte sobreposição geográfica e potencial de expansão da oferta convergente.
O impacto para a TIM
Para a TIM, o impacto seria mais transformacional.
Uma aquisição integral da V.tal financiada por dívida representaria entre 22% e 46% do valor de mercado da companhia, segundo a XP.
A alavancagem pós-negócio poderia subir para algo entre 1,7x e 2,7x dívida líquida/EBITDA.
Apesar do aumento do endividamento, a operação poderia acelerar a estratégia de convergência da TIM.
Com a rede da V.tal, a base de clientes de fibra da operadora poderia crescer mais de cinco vezes.
Isso criaria um player com cerca de 27% de participação nas 46 principais cidades atendidas pela Nio, acima dos cerca de 22% da Vivo nessas mesmas regiões.
“Essa escala poderia ser alavancada sobre a participação já existente da TIM no pós-pago, apoiando uma oferta convergente mais robusta”, destaca o relatório.






