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Scott Galloway, “guru do Vale do Silício”, prevê 2023 de sucesso para big techs

Scott Galloway, “guru do Vale do Silício”, prevê 2023 de sucesso para big techs

Analista projeta recorde de lucros e valorização das ações à custa de ajustes de gestão e de mais demissões no setor.

Embora viva entre Londres e Nova York, a milhares de quilômetros do Vale do Silício, na Califórnia, o pesquisador norte-americano Scott Galloway ganhou fama como um dos gurus do mercado de tecnologia após suas análises sinceras e nem sempre otimistas sobre o setor. Para 2023, no entanto, o escritor e professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York projeta um ano de bons resultados para as big techs – ainda que nem todo o caminho seja marcado por flores.

Galloway teve um fim de ano agitado: viajou ao Catar para acompanhar a reta final da Copa do Mundo e postou em seu Twitter imagens nas arquibancadas. De volta ao trabalho, em seu primeiro post no ano em seu blog, projetou bons resultados para as empresas tanto em seus balanços, com lucros generosos, e também no mercado de capitais, com valorização para os papéis negociados na Nasdaq

Só que esse caminho vai passar por ajustes no processo de gestão das empresas e, consequentemente, em ainda mais demissões do que as já realizadas no setor desde o ano passado. Estimativas apontam para cerca de 150 mil pessoas dispensadas em empresas de tecnologia em 2022, sendo 90 mil só nos Estados Unidos.

A Amazon anunciou nesta semana que deve reduzir cerca de 18 mil funcionários de seu quadro, enquanto o Twitter fez também uma série de dispensas ao redor do mundo depois que Elon Musk assumiu a gestão – no caso, depois de fechar o capital da empresa e retirá-la da Nasdaq, a um custo estimado de US$ 43 bilhões.

No caso da Meta, a empresa proprietária de Facebook, Instagram e Whatsapp, entre outros aplicativos, Galloway acredita que a empresa vai recuperar parte do valor perdido em 2022, quando as ações perderam cerca de 75% do valor. “É um negócio de US$ 120 bilhões e um vulcão de caixa com margens operacionais excepcionais. O Facebook e o Instagram não são mais novidade, mas a população do Hemisfério Sul e da Índia ainda os usa”, afirmou o analista.

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Novos métodos e gestão mais enxuta

Galloway aponta que as empresas estão percebendo que será possível obter resultados com equipes mais enxutas, ou “o mesmo sabor com menos calorias”, mesmo que isso possa causar impactos morais dentro das equipes e até mesmo na percepção da sociedade sobre as empresas.

“Google e Meta tem margens operacionais de 30% e podem demitir 25 mil pessoas cada, ou aumentar suas receitas em US$ 12,5 bilhões e registrar o mesmo lucro operacional. Eles e centenas de outras empresas de tecnologia escolherão uma versão da primeira opção”, aposta.

Ele também prevê crescimento e valorização para as empresas chinesas, para as quais estima um desconto de até 50% nos preços de ações, provocados mais pela incerteza do cenário político-econômico chinês, que acaba de encerrar a política de covid zero, do que pelo desempenho real das empresas.

Uma das beneficiadas, estima Galloway, é a ByteDance, dona do TikTok – segundo ele, a empresa que, ao lado da Apple, está “sugando o oxigênio do ecossistema publicitário”. Segundo ele, a companhia já vale US$ 300 bilhões e pode alcançar o trilhão até o fim de 2023.

Tesla entre altos e baixos; Musk, a conferir

Antes mesmo de a Tesla divulgar seus resultados de 2022, com produção e entrega recorde de veículos, mas números abaixo dos estimados pelo mercado e pela própria empresa, Scott Galloway já apostava que a empresa viverá um cenário semelhante em 2023, inclusive com acentuação na redução do valor das ações, que perderam cerca de 70% do valor em um ano.

“A Tesla ainda é negociada a 35 vezes o lucro, enquanto a concorrência (algo que a empresa não tinha antes) é negociada a 5 vezes o lucro”, observa o analista, apontando para o aumento da oferta de carros elétricos por montadoras já estabelecidas no mercado tradicional.  Ele prevê que as ações devem cair mais 50% em 2023, para perto dos US$ 60.

Já o CEO da empresa, Elon Musk, foi citado por Galloway no texto como ídolo de uma “religião” que ele espera ver derrubada, ou ao menos afetada: a chamada Igreja da Tecnologia, que eleva empreendedores bem-sucedidos do setor ao posto de semideuses.

Para ele, a condenação por fraude de Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos, startup de saúde que virou pó, e a prisão de Sam Bankman-Fried, dono da corretora de criptoativos FTX, também com denúncia de fraude e apropriação indébita, podem ajudar a abrir os olhos do público diante da realidade do mercado.

“Estou otimista de que esses abusadores não serão apenas transferidos para diferentes paróquias, mas também que isso iluminará a importância da regulamentação, da confiança e de conselhos independentes”, pediu o analista..

Inteligência artificial em alta

Galloway é um crítico ferrenho das ideias de metaverso, e especialmente das apostas da Meta e de Mark Zuckerberg no setor, mas acredita que as manifestações de inteligência artificial têm tudo para se espalhar em 2023, especialmente a partir do sucesso de ferramentas já exploradas de geração de imagens e de texto.

“Um influxo de capital e atenção em 2023 irá acelerar o crescimento da categoria”, aponta o especialista. No caso de uma empresa já estabelecida, a Roblox, plataforma de jogos que sofreu fortes perdas no ano passado, ele faz uma previsão ousada: a Disney pode incorporar a empresa.

“O Roblox é um metaverso que funciona, com 60 milhões de usuários ativos, metade deles com 13 anos ou menos”, diz Galloway, lembrando a volta de Bob Iger como CEO da empresa, em dezembro, e sua passagem anterior, em que a Disney comprou nada menos que Pixar, Marvel, LucasFilm e Fox, entre outras empresas. 

“Bob está de volta e pode ser o melhor comprador da história. Adquirir a Roblox seria mais caro, mas a Disney tem o capital e, estrategicamente, faz sentido”, concluiu o “guru”.

Como investir nas big techs

Os brasileiros podem investir na Tesla por meio de corretoras internacionais que atuam nas bolsas norte-americanas, como a Avenue, parceira da EQI, que oferece taxas acessíveis e atendimento em português.

Outra possibilidade são os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são recibos negociados na B3 atrelados a ações negociadas nos EUA. Elas não acompanham necessariamente o desempenho dos papéis originais, mas geralmente seguem as oscilações do mercado e podem ser adquiridas por meio das corretoras que operam na B3.

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