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Fed mantém juros dos EUA, diante de cenário de incerteza

Fed mantém juros dos EUA, diante de cenário de incerteza

Esta é a terceira vez em 2026 que a autoridade monetária opta por não alterar os juros

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA inalterada no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado. Esta é a terceira vez em 2026 que a autoridade monetária opta por não alterar os juros, reforçando uma postura cautelosa diante do atual cenário econômico.

A decisão, no entanto, não foi unânime. Um dos membros do comitê, Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump, votou a favor de um corte de 25 pontos-base, evidenciando divergências internas sobre a condução da política monetária.

O comunicado do Fed destacou que os recentes acontecimentos no Oriente Médio têm contribuído para um ambiente de elevada incerteza nas perspectivas econômicas globais. O cenário geopolítico, aliado à volatilidade nos preços de commodities, segue sendo um fator de risco relevante para as decisões futuras da autoridade monetária.

Além disso, o comitê reforçou que permanece atento aos riscos em ambos os lados de seu duplo mandato: promover o máximo emprego e garantir a estabilidade de preços. Essa sinalização indica que o Fed continua equilibrando preocupações com inflação persistente e sinais mistos da atividade econômica.

Atividade e inflação

De acordo com o comunicado, indicadores recentes sugerem que a economia americana continua se expandindo em ritmo sólido. Ainda assim, o mercado de trabalho apresenta sinais de moderação, com a criação de empregos permanecendo baixa, em média, nos últimos meses.

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A taxa de desemprego, por sua vez, mostrou pouca variação no período recente, indicando relativa estabilidade nas condições do mercado laboral. Esse cenário contribui para a leitura de que a economia segue resiliente, embora sem sinais claros de aceleração mais forte.

Por outro lado, a inflação continua elevada, refletindo, em parte, o aumento recente dos preços globais de energia. Esse fator tem dificultado um processo mais rápido de convergência inflacionária para a meta do banco central.

Guerra e petróleo elevado impactam inflação

Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, avaliou que a inflação norte-americana vem sendo pressionada pelo choque do preço do barril de petróleo por causa do conflito no Oriente Médio. Além disso, a guerra acrescenta um grande grau de incerteza em termos de atividade econômica.

Por fim, ele avalia que a falta de unanimidade chamou a atenção, embora já seja de um dos diretores que costuma sempre votar na contramão das de decisões do colegiado.

“Teve um membro que votou por um corte de 0,25%, que foi justamente o Stephen Miran (indicado por Trump), que já vem com essa cabeça de redução de taxa de juros ao longo das últimas reuniões”, disse ele.