A ampliação do valor máximo financiado no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) deve impulsionar o setor imobiliário já a partir do segundo trimestre de 2026. A elevação do teto para R$ 400 mil na faixa 3 e para R$ 600 mil na classe média, somada ao reajuste entre 6% e 12% nos limites de renda, tende a ampliar significativamente o público elegível e acelerar a demanda por novos empreendimentos. Os dados são de um relatório do BB Investimentos.
As mudanças foram aprovadas pelo conselho curador do FGTS no fim de março e passaram a valer no final de abril. Com isso, incorporadoras já devem começar a refletir os impactos positivos em seus resultados operacionais nos próximos meses, em meio a um ambiente ainda marcado por crédito direcionado mais barato.
Motor do setor
O MCMV segue como principal vetor de crescimento da construção civil no país. As taxas de financiamento mais baixas oferecidas pelo programa, em comparação às condições de mercado, mantêm a atratividade elevada, especialmente para famílias de menor renda.
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Esse cenário ajuda a explicar a movimentação estratégica de empresas tradicionalmente focadas em médio e alto padrão, como Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), que vêm ampliando gradualmente sua atuação no segmento econômico, buscando capturar a maior liquidez e velocidade de vendas observadas nesse nicho, de acordo com o relatório.
Ao mesmo tempo, incorporadoras já consolidadas nesse segmento, como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3) e Tenda (TEND3), seguem apresentando desempenho consistente, combinando forte ritmo de vendas com manutenção de margens operacionais, sustentadas por maior controle de custos e execução de obras.
Juros no radar
Apesar do protagonismo do programa habitacional, o desempenho do setor também permanece atrelado à trajetória da taxa básica de juros. Um eventual ciclo de cortes da Selic tende a ampliar o acesso ao crédito e favorecer principalmente os segmentos de médio e alto padrão, hoje mais sensíveis ao custo de financiamento.
De acordo com a mediana mais recente do Boletim Focus, a expectativa é de uma Selic terminal em 13% em 2026, o que implicaria redução de 1,75 ponto percentual em relação ao patamar atual, com cortes adicionais de cerca de 2 pontos percentuais projetados para 2027.
Diante desse cenário, a preferência no setor segue direcionada a companhias com níveis mais equilibrados de alavancagem, capazes de atravessar diferentes ciclos de juros sem comprometer a rentabilidade e a geração de caixa.






