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JURO11 corta dividendo e cai abaixo do valor patrimonial, mas o BTG vê oportunidade nele

JURO11 corta dividendo e cai abaixo do valor patrimonial, mas o BTG vê oportunidade nele

O banco atribui a queda do rendimento à marcação a mercado e aos juros reais, e vê uma janela de entrada para o investidor de longo prazo

O fundo de infraestrutura JURO11, da gestora Sparta, reduziu o rendimento distribuído de R$ 1 por cota para R$ 0,75 em maio e R$ 0,50 em junho. Esta redução costuma assustar o investidor pessoa física. Para o BTG Pactual (BPAC11), a queda é reflexo do efeito da marcação a mercado e do avanço dos juros reais, sem sinalizar piora na qualidade da carteira, o que abre uma oportunidade de entrada no papel.

Em relatório, o banco lembra que um episódio parecido ocorreu em meados de janeiro de 2025, também num cenário de mercado adverso, e enquadra o caso recente dentro de uma reprecificação que atinge o crédito privado como um todo.

Pressão sobre a classe

A reprecificação combina fatores técnicos e macroeconômicos.

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Uma sequência de eventos de crédito, a piora das cotas dos fundos e a continuidade dos resgates em veículos abertos provocaram a abertura dos spreads, com efeito mais persistente no crédito incentivado, que tem menor flexibilidade de alocação e, por isso, maior exposição à marcação a mercado.

A abertura da curva real de juros também pressionou os ativos indexados ao IPCA e reduziu os ganhos gerados pelo fechamento dos spreads.

“Os fundos de infraestrutura abertos foram os mais sensíveis ao ajuste, já que podem precisar vender ativos quando o caixa aperta, e tendem a começar pelos papéis de maior qualidade, que oferecem mais liquidez”, afirma o BTG.

O corte no dividendo

No caso do JURO11, esse ambiente pressionou a cota patrimonial e reduziu a geração de ganho de capital. A política do fundo prevê a distribuição de rendimentos apenas quando o valor patrimonial supera R$ 100 por cota, regra que levou aos cortes de maio e junho. A cota encerrou a base de cálculo do relatório em R$ 96,45, com dividend yield de 11,7% nos últimos doze meses.

“Dado o perfil da base de investidores, ainda muito concentrada no varejo, o mercado tende a reagir de forma exagerada a cortes pontuais de dividendos, sem separar os efeitos da marcação a mercado de uma eventual piora na qualidade da carteira”, aponta o banco.

Para o BTG, os fundamentos seguem preservados. A carteira é pulverizada, com exposição a 112 emissores e ao menos 68% alocada em papéis com rating AA ou superior. Entre os setores, a maior concentração está em geração de energia (28%), seguida por saneamento (11%), rodovias (9%), telecomunicações (9%) e distribuição de energia (9%).

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A janela de oportunidade

O principal argumento da casa está no preço. O fundo negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) líquida implícita de cerca de IPCA + 9,7% ao ano, com duration próxima de três anos, num momento em que os spreads ficaram mais atrativos. A cota está em torno de 0,96 vez o valor patrimonial (P/VP), abaixo da média histórica e um desvio padrão para baixo, num veículo que costumava negociar com ágio.

“Para o investidor de longo prazo, o preço atual combina uma carteira de qualidade, o potencial de reciclar o portfólio a spreads mais altos e o desconto na cota negociada no mercado secundário”, escreve o BTG.

O próprio banco pondera que a pressão vendedora no secundário pode persistir no curto prazo, sobretudo pela sensibilidade da base de cotistas às oscilações do dividendo mensal. A avaliação da casa, porém, é de que o desconto atual já embute boa parte desse risco para quem tem horizonte mais longo.