Em 2026, o real mantém posição de destaque entre as principais moedas globais, sustentado por um cenário internacional mais favorável ao risco e por fundamentos ligados ao perfil exportador do país. Na leitura do BTG Pactual, a moeda brasileira tem acompanhado movimentos positivos observados em outras praças, reagindo sobretudo à redução de tensões geopolíticas recentes.
A recuperação mais recente foi impulsionada pela melhora do humor global, após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela diminuição do risco de escalada no Oriente Médio.
Nesse contexto, o real liderou o desempenho entre as principais cestas cambiais em um único dia, com apreciação de 1,8%, além de acumular alta de 1,4% na semana, superando moedas de mercados desenvolvidos e emergentes.
Apesar disso, o desempenho no mês ainda é negativo, com recuo de 1,2%, refletindo um padrão também observado em outras moedas.
“O movimento recente do real reflete principalmente um ambiente global mais benigno para ativos de risco, mas isso não elimina a volatilidade estrutural da moeda”, afirma a economista Iana Ferrão.
Real vs Taxa de câmbio de conjuntos de países selecionadas – Variação a partir de eventos relevantes (>0 = apreciação da moeda frente ao US$)
Desempenho relativo segue sustentado
No acumulado de 2026, o real registra valorização de 7,5%, ficando atrás apenas do peso colombiano, que sobe 8,1%. Ambos compartilham a característica de serem exportadores líquidos de energia, o que tem favorecido suas moedas em meio à incerteza geopolítica global e às oscilações nos preços de commodities.
Desde episódios recentes de tensão internacional, como os ataques envolvendo o Irã, o real permanece entre os principais destaques do mercado cambial. A moeda brasileira aparece atrás apenas de Colômbia e China nesse recorte, reforçando sua resiliência diante de choques externos.
“O diferencial do real está ligado à exposição a commodities e ao fluxo de capitais em busca de retornos elevados”, diz Iana Ferrão.
Mesmo com o bom desempenho relativo, o real segue com beta elevado e alta volatilidade em comparação com seus pares. Isso significa maior sensibilidade a mudanças no apetite por risco global, o que amplia tanto os movimentos de valorização quanto de depreciação em períodos de estresse.
Ainda assim, a volatilidade atual permanece abaixo da média histórica da própria moeda, o que ajuda a sustentar estratégias de carry trade.
“Há espaço para ganhos em um ambiente de juros elevados, mas o investidor precisa estar preparado para oscilações relevantes no curto prazo”, completa Iana Ferrão.
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