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É oficial! O El Niño está de volta

É oficial! O El Niño está de volta

As condições do fenômeno El Niño já estão presentes e espera-se que o fenômeno persista até o final do verão austral 2026/2027.

O fenômeno El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e deve ganhar intensidade nos próximos meses, podendo atingir níveis elevados durante a primavera austral de 2026, segundo avaliação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A formação do evento já era esperada por diversos centros meteorológicos internacionais e reforça o alerta para possíveis impactos climáticos no Brasil ao longo do segundo semestre.

A confirmação ocorre em meio a uma convergência de análises globais, incluindo instituições como NOAA, Agência Meteorológica do Japão e centros europeus e australianos, que apontam aquecimento consistente das águas superficiais do Pacífico. Esse movimento é considerado um dos principais indicadores do retorno do fenômeno climático.

“Na primeira semana de junho, o índice Niño 3.4 atingiu +0,7°C, caracterizando o estabelecimento das condições de El Niño”, informou o Inmet. O indicador é um dos principais parâmetros utilizados para identificar a presença do fenômeno e medir sua intensidade.

Fonte: Inmet

Outros índices complementares também registraram aquecimento relevante, com anomalias de +0,7°C na região Niño 4, +1,0°C em Niño 3 e +2,1°C em Niño 1+2. Esses dados apontam para um aquecimento generalizado da superfície do oceano, criando as condições necessárias para o fortalecimento do El Niño nos próximos meses.

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As projeções de modelos climáticos indicam que o fenômeno deve se intensificar gradualmente até o verão de 2026-2027. De acordo com o Inmet, há 63% de probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte entre novembro e janeiro, o que poderia colocá-lo entre os mais significativos já registrados.

Os modelos indicam fortalecimento do fenômeno até o verão 2026-2027, com probabilidade relevante de atingir intensidade muito forte”, destacou o Inmet. Caso esse cenário se confirme, o episódio pode figurar entre os mais intensos desde o início da série histórica, em 1950.

Historicamente, o El Niño provoca alterações importantes nos padrões climáticos no Brasil, embora seus efeitos não sejam uniformes em todo o território. Em geral, as regiões Norte e Nordeste tendem a registrar redução das chuvas, aumentando o risco de estiagens, queda na umidade do solo e impactos sobre os recursos hídricos.

Por outro lado, a Região Sul costuma ser afetada por chuvas acima da média durante eventos de El Niño, elevando a probabilidade de episódios de precipitação intensa, alagamentos e cheias de rios. Essas mudanças podem gerar impactos relevantes tanto para a população quanto para setores como agricultura e energia.

O Inmet ressalta, no entanto, que os efeitos do fenômeno variam de acordo com sua intensidade e com outros fatores atmosféricos. Nem todos os eventos produzem os mesmos impactos, mesmo quando classificados como fortes.

“Mesmo episódios muito intensos não produzem necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões, mas quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser sua influência sobre o clima”, ressaltou o instituto.

B3 El Niño
(Imagem: Copilot)

Impacto na Bolsa

O efeito do El Niño deverá atingir vários setores na Bolsa, como mostra uma análise recente da Genial Investimentos.

Na geração de energia elétrica, o risco é classificado como moderado a alto.

Axia (AXIA3) aparece como o nome mais vulnerável, por sua elevada concentração de capacidade instalada nas regiões Norte e Nordeste, justamente as mais sujeitas à seca em cenários de Super El Niño.

Em contrapartida, a Copel (CPLE6) surge como um nome relativamente beneficiado, dada sua maior exposição à Região Sul, que tende a receber mais chuvas durante o fenômeno. No setor financeiro, o risco também é considerado moderado a alto.

Banco do Brasil (BBAS3), ABC Brasil (ABCB4) e Banrisul (BRSR6) aparecem com maior risco, pela exposição direta ou indireta ao crédito rural e agro, enquanto bancos de varejo mais diversificados tendem a sofrer impacto secundário e menos direto”, avaliam os analistas da Genial.

No segmento de seguros, IRB (IRBR3), Porto Seguro (PSSA3) e BB Seguridade (BBSE3) ficam mais expostos por linhas sensíveis a eventos climáticos, como rural, automóvel e residencial. A Caixa Seguridade (CXSE3) aparece como opção mais defensiva pelo portfólio mais diversificado.

Em mineração e siderurgia, Usiminas (USIM5) e CSN Mineração (CMIN3) concentram os maiores riscos, com produção fortemente concentrada em Minas Gerais.

CSN (CSNA3) também entra no radar via CMIN e por custos de energia em Volta Redonda. No agronegócio, SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3) são os nomes mais citados, por exposição ao Cerrado, milho de segunda safra e janela de plantio fora do ideal.

“SLC tem diversificação para o MAPITOBA, mas irrigação ainda pouco representativa como mitigante”, destacam os analistas. Entre os frigoríficos, a Minerva (BEEF3) é o nome de maior beta ao ciclo bovino sul-americano, sem diversificação de proteína, enquanto JBS (JBSS3) e MBRF (MBRF3) são mais defensivas pela diversificação de produtos e geografia.

Os setores menos afetados — e os mitigantes

Saneamento, construção e papel e celulose figuram como os setores de menor exposição ao fenômeno. Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3) podem sofrer em casos de seca prolongada, mas a Sanepar tende a ser menos exposta ao risco de escassez hídrica num El Niño típico.

Suzano (SUZB3) parece relativamente mais defensiva que Klabin (KLBN11), dada maior escala, produtividade florestal, menor raio médio de abastecimento e hedge de commodities”, apontam os analistas da Genial.

Vale (VALE3), apesar de ter risco relevante no Sistema Sudeste, conta com importante mitigante no Sistema Norte, via Carajás. Gerdau (GGBR4) se beneficia da diversificação geográfica e da forte contribuição das operações nos EUA para o Ebitda.

Rumo e Hidrovias do Brasil

Segundo o BTG Pactual, o aumento da probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte no último trimestre de 2026 pode alterar significativamente a dinâmica logística do agronegócio brasileiro, favorecendo a Rumo (RAIL3) e ampliando os desafios operacionais da Hidrovias do Brasil (HBSA3), segundo relatório divulgado pelo BTG Pactual (BPAC11) nesta quinta-feira (11).

A avaliação do banco foi motivada pela atualização das projeções do Climate Prediction Center (CPC), que elevou para 62% a chance de um evento de El Niño classificado como “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. O percentual representa um aumento de 29 pontos percentuais em relação à estimativa anterior e coincide com o período de maior vulnerabilidade hidrológica na região Norte.

Risco logístico

Na visão dos analistas, a principal consequência desse cenário seria a redução dos níveis dos rios utilizados para o transporte de grãos, comprometendo a navegabilidade em importantes corredores logísticos da Amazônia.

Segundo o relatório, episódios de El Niño moderado ou forte historicamente reduziram a profundidade dos rios da região em mais de 17%, enquanto eventos muito fortes provocaram quedas superiores a 30%. Com a nova projeção climática, o BTG acredita que aumenta o risco de restrições operacionais para a Hidrovias do Brasil no fim do próximo ano.

Os indicadores mais recentes já mostram sinais de deterioração. Em maio, os níveis dos rios ficaram 1,8% abaixo dos registrados um ano antes e 2,5% inferiores à média histórica para o período. Além disso, medições realizadas nos rios Tapajós e Amazonas apontaram profundidades ligeiramente abaixo dos padrões históricos.

(Com informações do Inmet)