As perspectivas para o ouro seguem positivas no longo prazo, apesar da recente pressão sobre os preços provocada pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, pelo fortalecimento do dólar e pelas preocupações persistentes com a inflação.
Embora algumas instituições financeiras tenham reduzido suas projeções de curto prazo para o metal precioso, a avaliação predominante entre analistas ainda aponta para uma recuperação gradual até 2026, sustentada pela retomada da demanda de investidores e bancos centrais.
No domingo, o JPMorgan revisou para baixo sua estimativa para o preço médio do ouro em 2026, reduzindo a projeção de US$ 5.708 para US$ 5.243 por onça. Segundo o banco, a decisão reflete um enfraquecimento temporário da demanda pelo ativo, em meio à menor participação de investidores institucionais e clientes.
“Essa calmaria se reflete na estagnação da atividade e nos indicadores de demanda. O interesse em aberto e o volume agregados de contratos futuros de ouro na COMEX permaneceram baixos, o interesse em aberto líquido de contratos futuros de fundos de investimento está estagnado em níveis baixos e os fluxos de ETFs têm sido fracos”, disseram analistas do banco em nota divulgada no domingo.
A revisão ocorre poucos dias após o ANZ também reduzir sua meta para o ouro no fim do ano, passando a prever o metal em US$ 5.600 por onça. O banco destacou que expectativas inflacionárias elevadas, juros mais altos e um dólar fortalecido devem continuar limitando o avanço dos preços no curto prazo.
Ouro deve recuperar força no segundo semestre de 2026
Apesar da revisão nas estimativas, o JPMorgan manteve uma visão positiva para os próximos anos e afirmou esperar uma recuperação mais consistente do ouro no segundo semestre de 2026, com os preços se aproximando de US$ 6.000 por onça.
“Mantemos nossa perspectiva otimista de médio prazo e prevemos que, após a imensa incerteza energética e inflacionária se dissipar, a demanda por ouro por parte de investidores e bancos centrais se intensificará novamente no segundo semestre de 2026.”
O ouro à vista acumula queda de cerca de 14% desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. A escalada nos preços do petróleo ampliou as preocupações do mercado com a inflação global e reforçou as apostas de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo.






