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Copa do Mundo: quando o marketing esportivo entra em campo

Copa do Mundo: quando o marketing esportivo entra em campo

Descubra como a Copa do Mundo se tornou um mercado bilionário com seus patrocinadores e suas oportunidades de marketing esportivo.

Você já deve ter reparado nos jogos de futebol as placas que ficam em torno do campo ou então no painel atrás dos jogadores e técnicos em entrevistas coletivas após as partidas. Nesses locais é que costumam aparecer as marcas dos patrocinadores da Copa do Mundo. O torneio que acontece a cada quatro anos é um mercado bilionário e costuma movimentar cifras altas a cada edição, já que há os parceiros históricos da Fifa como também os patrocinadores pontuais de cada edição, além das próprias seleções e jogadores que contam com seus parceiros comerciais.

Segundo a Fifa, a Copa do Mundo é considerada uma das mais valiosas plataformas globais de marketing esportivo, alcançando milhões de espectadores em mais de 200 países. A realização de um evento dessa dimensão depende do apoio de parceiros comerciais, que fornecem produtos, serviços e suporte operacional essenciais para o funcionamento da competição.

Em contrapartida, as empresas patrocinadoras recebem uma série de direitos comerciais e de exposição de marca. Entre os benefícios estão o uso das marcas oficiais do torneio, presença publicitária dentro e no entorno dos estádios, além de visibilidade em publicações oficiais da Fifa e nos canais digitais relacionados ao evento.

Os patrocinadores também contam com programas de reconhecimento institucional, proteção contra ações de marketing de emboscada e acesso a oportunidades de hospitalidade corporativa voltadas para clientes e parceiros de negócios. Outro diferencial é a possibilidade de realizar campanhas promocionais associadas à Copa do Mundo, incluindo acesso preferencial a espaços publicitários vinculados às transmissões do torneio.

Além do pacote padrão de benefícios, as empresas têm a opção de adaptar suas ativações de patrocínio de acordo com suas estratégias de marketing. Isso inclui a utilização personalizada dos elementos visuais oficiais da competição e a criação de identidades conjuntas entre a marca e o evento.

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Segundo a Fifa, essa flexibilidade permite que os patrocinadores desenvolvam campanhas exclusivas, ampliem sua diferenciação em relação a empresas não associadas ao torneio e fortaleçam sua presença junto ao público em escala global.

Algumas camisas de seleções e seus fornecedores de material esportivo. Foto: Divulgação/Fifa

Quem são os patrocinadores da Copa do Mundo

Começando pelo mundial em si, a copa conta deve movimentar valores que podem chegar a até US$ 3 bilhões. Os parceiros da Fifa são a Adidas, ADI Foundation, Coca-Cola, Aramco, Hyundai, Lenovo, Qatar Airways e Visa. Esses são nomes garantidos em todo mundial. O ciclo da Copa, que começou em 2023 e termina agora, movimentou algo em torno de US$ 11 bilhões.

Especificamente da Copa 2026, entram mais nomes. Nessa lista vão a Budweiser, Bank of America, Hisense, Lays, McDonald´s, Mengniu (empresa chinesa de produtos lácteos), Dove e a operadora de telefonia norte-americana Verizon.

Os contratos dos patrocinadores pontuais, que são os chamados parceiros de segunda linha, possuem acordos que podem variar entre US$ 65 milhões e US$ 95 milhões.

Relatório da Sponsorship Marketing Association aponta que este mundial – recordista no número de seleções participantes, com 48 equipes – deve ser a mais lucrativa já realizada, com 5 bilhões de telespectadores em todo o mundo, além do público que irá comparecer aos jogos nas 16 cidades-sede, no Canadá, Estados Unidos e México.

Patrocinadores de longa data

Entre os parceiros de longa data da Copa do Mundo, vale destacar a Coca-Cola. A fabricante de refrigerantes mantém uma das mais longas e consolidadas parcerias comerciais com a Fifa. A relação formal entre as duas organizações teve início em 1974, enquanto o patrocínio oficial da Copa do Mundo passou a vigorar em 1978, no mundial realizado na Argentina. A presença da marca nos estádios do torneio, entretanto, remonta à edição de 1950, no Brasil, quando os primeiros anúncios da empresa foram exibidos durante a competição.

Atualmente, a parceria está garantida até 2030 e abrange não apenas a Copa do Mundo masculina, mas também uma ampla gama de competições organizadas pela entidade, incluindo torneios femininos e categorias de base realizados em diferentes países.

Uma das principais iniciativas da empresa ligadas ao torneio é o Fifa World Cup Trophy Tour by Coca-Cola. Realizado de forma exclusiva pela companhia desde 2006, o projeto leva o troféu oficial da Copa do Mundo a diversos mercados ao redor do planeta, permitindo que milhões de torcedores tenham contato direto com um dos símbolos mais emblemáticos do futebol. A edição de 2018 marcou a quarta realização da ação global.

Além das ativações presenciais, a Coca-Cola também participa de iniciativas voltadas ao engajamento dos fãs. Em parceria com o Grupo Panini, referência mundial no segmento de álbuns de figurinhas licenciados, a companhia promove a distribuição de figurinhas físicas e digitais oficiais, ampliando a interação do público com os torneios da entidade.

A atuação da empresa no ecossistema do futebol internacional também inclui o patrocínio dos rankings mundiais da Fifa para seleções masculinas e femininas. As classificações, atualizadas periodicamente, são amplamente acompanhadas por torcedores, federações e profissionais do esporte em todo o mundo.

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Em questão de material esportivo, a parceria entre a Fifa e a adidas já ultrapassa cinco décadas e figura entre as mais tradicionais do esporte mundial. Desde a Copa do Mundo de 1970, no México, a fabricante alemã é responsável pelo fornecimento da bola oficial utilizada em todas as partidas do principal torneio de futebol do planeta.

Ao longo desse período, a empresa transformou a bola oficial em um dos símbolos mais reconhecidos de cada edição da competição. Para isso, a adidas investe continuamente no desenvolvimento de novos materiais, tecnologias e conceitos de design, buscando combinar desempenho esportivo e identidade visual em um único produto.

Diversos modelos lançados pela marca se tornaram referências na história das Copas do Mundo. Entre eles está a Tango, utilizada em 1982, que se destacou por combinar couro e poliuretano de forma inovadora para a época. Quatro anos depois, a Azteca, de 1986, entrou para a história como a primeira bola totalmente sintética do torneio.

Na década de 1990, a evolução tecnológica continuou com a Questra, lançada em 1994 e desenvolvida com base em espuma de poliuretano, e a Tricolore, de 1998, que introduziu uma camada de espuma sintática para aprimorar o desempenho em campo.

Trionda, a bola oficial da Copa do Mundo. Foto: Adidas

Já em 2006, a adidas apresentou a +Teamgeist, considerada um marco na evolução das bolas oficiais da Copa do Mundo. O modelo chamou atenção pelo design diferenciado e pela tecnologia de painéis, que estabeleceu novos padrões para precisão, controle e estabilidade durante as partidas.

Com cada nova edição do torneio, a empresa busca reforçar o papel da bola oficial não apenas como equipamento esportivo, mas também como um dos principais ícones visuais da Copa do Mundo.

Experiências de torcedor

Além de estampar marcas nas partidas, os patrocinadores costumam realizar eventos de experiências aos torcedores. As empresas investem em iniciativas que ampliam a interação do público com o evento, tanto nos estádios quanto nas plataformas digitais.

Entre os exemplos, Adidas e Coca-Cola apostam em experiências interativas e produtos colecionáveis personalizados para engajar os fãs. Já Visa e Lenovo direcionam investimentos para soluções tecnológicas que facilitam pagamentos, aprimoram a conectividade e ampliam o acesso a conteúdos exclusivos durante a competição.

No segmento esportivo, a Adidas também reforça sua presença junto aos consumidores com o lançamento de uniformes, chuteiras e outros produtos inspirados nas seleções e nos atletas que disputam o torneio.

Essas estratégias contribuem para fortalecer a cultura do futebol e manter o engajamento dos torcedores antes, durante e após as partidas, ampliando a conexão entre o público, o esporte e um dos eventos mais acompanhados do planeta.

Seleção brasileira

Já a seleção brasileira possui 11 parceiros comerciais, sendo um dos mais longevos, a própria fornecedora de material esportiva, a Nike, que fornece as camisas do Brasil desde 1996, completando então 30 anos de parceria. A companhia norte-americana já renovou o contrato por mais 12 anos e estima-se que a cada ano, a marca lucra algo em torno de US$ 1 bilhão.

Bruno Guimarães em entrevista coletiva. Ao fundo, os patrocinadores da seleção. Foto: CBF

A Ambev (ABEV3) também entra nessa lista e participa com a montagem dos palcos “Arena Nº1”, que estampa a marca da cerveja Brahma para a transmissão de jogos da seleção.

 A MBRF (MBRF3) também marca presença, com a Sadia, que fornece alimentação e proteínas aos jogadores, além de estampar a marca da empresa nos ônibus de transporte, uniformes de treino e vestiários.

Outro patrocinador de longa data é a Vivo (VIVT3), que tem contrato com a CBF desde 2005 e que movimenta algo em torno de R$ 70 milhões por ano. Já o banco Itaú (ITUB4), está com a seleção desde 2008 e movimenta em torno de R$ 300 anuais.

A Copa do Mundo, portanto, é um gigantesco mercado capaz de movimentar as mais altas cifras, que podem ir desde o simples patrocínio de um torneio, até campanhas de marketing altamente elaboradas. Tudo isso, para aprimorar a experiência do torcedor e das seleções a cada torneio, como também ajudar na rentabilidade das empresas envolvidas.