A Ativa manteve sua projeção para o Ibovespa em dezembro de 2026 em 168 mil pontos – em linha com o nível atual -, patamar que corresponde ao ponto médio de um intervalo estimado entre 133 mil e 203 mil pontos. A casa avalia que, apesar de um início de ano positivo, o índice perdeu fôlego ao longo de maio, refletindo mudanças no fluxo de capital e maior cautela dos investidores.
O rali observado no começo do ano foi impulsionado por fluxo estrangeiro consistente, apreciação cambial e expansão de múltiplos em empresas de maior peso. No entanto, esse movimento não se sustentou.
“Maio marcou uma inflexão, com saída relevante de capital externo e aumento da seletividade”, aponta a Ativa, destacando a mudança no comportamento dos agentes.
Ainda assim, a recomendação para ações brasileiras segue positiva. “Mantemos compra, mas com viés mais seletivo”, afirma a casa, ressaltando que o carrego continua atrativo e que as revisões de lucro permanecem favoráveis. A recente contração de múltiplos também reforça a convicção em papéis de maior qualidade.
Ambiente internacional
No exterior, o cenário continua desafiador para mercados emergentes. A trégua entre EUA e Irã reduziu riscos extremos, mas não normalizou o fluxo no Estreito de Hormuz, mantendo os preços de energia elevados e pressionando expectativas de inflação global.
Nos Estados Unidos, o crescimento perdeu ritmo no primeiro trimestre de 2026, enquanto indicadores mais recentes sugerem resiliência no mercado de trabalho. A combinação de atividade moderada, emprego firme e inflação ainda pressionada mantém o Federal Reserve em postura cautelosa, com juros elevados por mais tempo.
Esse contexto reduz o apetite por risco e limita o fluxo para países emergentes. Para a Ativa, o ambiente externo é “menos favorável para tomada de risco em bolsa”, sobretudo diante da menor visibilidade sobre o início de um ciclo de cortes de juros nos EUA.
Cenário doméstico e política
No Brasil, o Banco Central segue adotando uma postura cautelosa. O corte recente da Selic para 14,50% veio acompanhado de comunicação conservadora, refletindo preocupações com inflação ainda elevada, mercado de trabalho resiliente e expectativas desancoradas.
A atividade econômica começa a mostrar sinais de desaceleração, com enfraquecimento de crédito e consumo, embora o crescimento recente tenha sido sustentado pelo setor agropecuário. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho segue apertado, com desemprego em níveis baixos e geração líquida de vagas positiva.
No campo político, as incertezas continuam no radar. A dinâmica eleitoral e possíveis medidas de estímulo elevam o prêmio de risco e reduzem a previsibilidade. “Dúvidas sobre Selic, fiscal e eleição podem limitar uma expansão adicional de múltiplos”, avalia a Ativa.
Valuation e estratégia
Em termos de valuation, a recente correção do mercado melhorou a assimetria. Enquanto os preços recuaram, as estimativas de lucro permaneceram resilientes, levando a uma contração de múltiplos que sustenta a visão construtiva para ações.
Ainda assim, a casa alerta que a oportunidade não é uniforme. O enfraquecimento do fluxo estrangeiro, os prêmios macro elevados e as incertezas políticas aumentam o risco de que parte do desconto observado represente uma armadilha de valor.
Diante desse cenário, a recomendação permanece ancorada em maior seletividade. A preferência é por empresas com balanços sólidos, geração de caixa consistente e capacidade de navegar um ambiente mais volátil, em detrimento de uma exposição ampla e indiscriminada ao mercado brasileiro.
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