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Varejo tem a maior retração em maio desde a pandemia

Varejo tem a maior retração em maio desde a pandemia

Desaceleração atinge todas as regiões, com Sudeste registrando pior desempenho desde 2021 e evidenciando fraqueza disseminada

O varejo brasileiro registrou em maio de 2026 a maior retração para o mês desde o período mais agudo da pandemia, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O indicador apontou queda real de 3,6% na comparação anual, refletindo um ambiente de consumo mais frágil e pressionado por inflação persistente, juros elevados e renda comprometida das famílias.

O resultado aprofunda a sequência de perdas observada ao longo de 2026 e representa a maior queda mensal desde março de 2025, quando o índice havia recuado 3,8%. Após dois meses positivos no mesmo período de 2025, o varejo voltou ao campo negativo, evidenciando uma mudança significativa no comportamento do consumidor, mais cauteloso diante do cenário macroeconômico.

Queda disseminada pelo país

A retração foi generalizada entre as regiões brasileiras, com destaque para o Centro-Oeste, que registrou a maior queda, de 4,9%. Nordeste (-3,1%), Norte (-2,4%) e Sul (-1,9%) também apresentaram desempenho negativo, indicando desaceleração ampla do consumo. Já o Sudeste, apesar de não liderar a queda, chamou atenção ao registrar seu pior resultado para qualquer mês desde março de 2021.

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Fonte: Cielo

“O enfraquecimento do consumo foi disseminado pelo país. Nenhuma região apresentou crescimento real, mostrando que o ambiente econômico continua exigindo mais cautela das famílias”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

“Maio confirmou um consumidor mais racional e seletivo. Com o orçamento mais pressionado, as famílias estão priorizando despesas essenciais e buscando mais preço e promoção antes de decidir a compra”.

Serviços lideram retração

Entre os macrossetores, Serviços foi o mais afetado, com queda de 8,9%, puxado principalmente pelos segmentos de turismo e transporte. O avanço expressivo dos preços de passagens aéreas, impactados pelo aumento do custo do querosene, contribuiu para reduzir a demanda e reforçar a seletividade dos consumidores.

Nos segmentos de bens duráveis e semiduráveis, o comportamento também refletiu maior cautela, com destaque negativo para materiais de construção e vestuário. Já em bens não duráveis, até categorias essenciais apresentaram retração em termos reais, como supermercados e farmácias, indicando compressão de volumes diante da inflação elevada de alimentos e itens básicos.

“Setores ligados a serviços e compras de maior valor foram os mais afetados, refletindo um cenário em que juros altos e renda comprometida ainda limitam a disposição para consumir”, diz Carlos Alves.

Pressão macro limita recuperação

O cenário de consumo mais fraco é explicado por uma combinação de fatores macroeconômicos adversos. A inflação segue concentrada em itens essenciais, enquanto a taxa básica de juros permanece elevada, em 14,5% ao ano, encarecendo o crédito e restringindo a capacidade de gasto das famílias.

Além disso, o nível de endividamento continua elevado, com quase metade da renda comprometida no sistema financeiro e avanço de modalidades mais caras de crédito. Do lado das empresas, o aumento da inadimplência também pressiona o ambiente econômico, limitando investimentos e reforçando um quadro de maior cautela no consumo.

Com isso, o ICVA de maio consolida a leitura de um varejo mais pressionado em 2026, com famílias priorizando despesas essenciais e adiando compras de maior valor, em um ciclo ainda marcado por restrições financeiras e incertezas no cenário econômico.