A inflação dos EUA – Estados Unidos voltou a ganhar força em maio, impulsionada principalmente pelos custos de energia. Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho mostraram que o Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,5% em maio na comparação mensal, após alta de 0,6% registrada em abril. O resultado veio em linha com as expectativas dos analistas.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a inflação acelerou para 4,2%, ante 3,8% em abril, também em linha com o consenso de mercado.
Apesar da aceleração do índice cheio, os números do núcleo da inflação — que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia e é acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed) — trouxeram uma leitura mais favorável. O núcleo do CPI avançou 0,2% em maio, desacelerando em relação à alta de 0,4% observada no mês anterior e abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,3%.
No acumulado de 12 meses, o núcleo da inflação passou de 2,8% para 2,9%, permanecendo próximo da meta de longo prazo perseguida pelo banco central americano.
Energia volta a pressionar os preços
O principal vetor da inflação em maio foi o setor de energia. O índice do segmento avançou 3,9% no mês, após altas de 3,8% em abril e expressivos 10,9% em março.
Segundo o BLS, a energia respondeu por mais de 60% da alta mensal do índice geral, evidenciando como os preços de combustíveis e outras fontes energéticas continuam exercendo pressão sobre o custo de vida dos consumidores americanos.
Em 12 meses, a inflação de energia acumula alta de 23,5%, tornando-se um dos componentes mais inflacionários da economia dos Estados Unidos.
O setor de habitação, outro item de peso na composição do índice, registrou avanço de 0,3% em maio. Já os preços dos alimentos subiram 0,2% no mês, com destaque para a alimentação fora de casa, que avançou 0,3%, enquanto os alimentos consumidos no domicílio tiveram alta mais modesta, de 0,1%.
Núcleo mais comportado traz alívio ao mercado
Embora a inflação dos EUA cheia tenha acelerado, a desaceleração do núcleo foi recebida de forma positiva pelos investidores, uma vez que sugere que as pressões inflacionárias mais persistentes continuam relativamente controladas.
Entre os componentes que registraram aumento em maio estão comunicação, passagens aéreas, assistência médica, cuidados pessoais e recreação. Em contrapartida, houve recuos em categorias como seguros de veículos, móveis e utensílios domésticos e automóveis novos.
O comportamento desses segmentos reforça a percepção de que parte da inflação atual está concentrada em choques específicos, especialmente ligados ao setor energético, e não necessariamente em um aquecimento generalizado da demanda.
O que muda para o Federal Reserve
Os números divulgados mantêm um cenário desafiador para o Federal Reserve. Por um lado, a aceleração da inflação cheia para 4,2% evidencia que os preços seguem avançando acima do desejado. Por outro, a leitura mais fraca do núcleo do CPI sugere que as pressões estruturais permanecem relativamente sob controle.
Para o mercado, o dado reduz o risco de uma postura ainda mais agressiva do banco central no curto prazo, embora dificilmente seja suficiente para acelerar discussões sobre cortes de juros.
A combinação de inflação cheia pressionada pela energia e núcleo mais moderado reforça a avaliação de que o Fed continuará dependente dos próximos indicadores para calibrar sua estratégia monetária nos próximos meses.
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