A Verde Asset zerou sua posição em real no mês de maio, em um movimento que reflete a crescente preocupação com a volta do chamado “excepcionalismo americano” e seus impactos sobre fluxos para mercados emergentes.
Segundo o relatório da gestora, o fortalecimento do dólar e a resiliência da economia dos Estados Unidos motivaram a mudança de estratégia cambial, mesmo com manutenção de exposição a metais preciosos.
Apesar do ajuste em moedas, o fundo Verde registrou ganhos no período, impulsionado principalmente pelas posições em renda variável global e pelos livros de crédito. Por outro lado, as perdas vieram da exposição a ações brasileiras, do ouro e da proteção de crédito atrelada à Arábia Saudita, evidenciando um ambiente ainda desafiador para ativos domésticos.
Guerra perde protagonismo nos mercados
O relatório destaca que, ao longo de maio, o tema geopolítico perdeu relevância relativa nos mercados, mesmo sem resolução efetiva do conflito no Oriente Médio. “O conflito no Oriente Médio segue sem solução, com promessas de acordo sendo constantemente empurradas para diante, e pequenos conflitos militares localizados de baixa intensidade”, afirma o documento.
Segundo a gestora, a ausência de um choque mais forte nos preços de energia se explica por fatores como a queda das importações chinesas de petróleo, a circulação paralela de parte da oferta global e o uso de estoques estratégicos. Nesse contexto, o mercado voltou sua atenção para outros vetores, com destaque para a inteligência artificial.
“A continuidade desse movimento trouxe de volta ‘Excepcionalismo Americano’ como tema macro”, destaca o relatório. A combinação de crescimento econômico nos EUA, perspectiva de juros mais altos e avanço da tecnologia tem reforçado a atratividade dos ativos americanos.
Mercado local sofre reprecificação
Esse novo ambiente global teve impacto direto sobre os fluxos para o Brasil, contribuindo para a correção dos ativos locais. O relatório aponta que o Ibovespa recuou 7,22% no mês, com quedas ainda mais intensas em diversos papéis abaixo da superfície do índice.
“Zeramos as alocações em Real por conta de preocupação com isso”, afirma a gestora, em referência ao movimento de fortalecimento do dólar e à reversão de fluxos para mercados emergentes.
O cenário também afetou o mercado de juros, que passou por forte reprecificação, com retirada das expectativas de corte e aumento da probabilidade de alta nas taxas.
Ainda de acordo com o relatório, a política econômica doméstica contribui para esse contexto mais volátil. A gestora destaca que os pacotes fiscais anunciados pelo governo aumentam a dificuldade do Banco Central em conduzir a política monetária, especialmente em um ambiente de desemprego baixo.
Proteções e ativos globais ganham espaço
Diante desse cenário, o fundo manteve exposição relevante à renda variável, tanto no Brasil quanto no exterior, embora com maior convicção em ativos globais. Nos Estados Unidos, houve mudança na estratégia, com redução da exposição à inflação implícita e aumento das posições aplicadas em juros reais.
Na parte de commodities e moedas, a gestora manteve alocação em ouro e ampliou a exposição à prata, ao mesmo tempo em que zerou posições em petróleo por meio de opções. A proteção de crédito da Arábia Saudita foi mantida, mesmo com impacto negativo no resultado do mês.
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