A inflação ao consumidor nos Estados Unidos veio em linha com o esperado em maio, mas com sinais mistos ao olhar os detalhes do índice, segundo análise do Bank of America. O CPI cheio avançou 0,5% no mês, enquanto o núcleo desacelerou para 0,2%, indicando alguma moderação nas pressões subjacentes.
O movimento levou a inflação anual a 4,2%, o maior nível desde abril de 2023, enquanto o núcleo ficou em 2,9%. Apesar da leitura dentro do consenso, o banco ressalta que a composição dos dados traz nuances importantes para a trajetória futura da política monetária.
Nesse contexto, a instituição também revisou para cima sua estimativa para o índice de preços ao consumidor (PCE), principal métrica acompanhada pelo Federal Reserve, indicando que a desinflação pode ser mais lenta do que o esperado inicialmente.
Atenção aos detalhes
Para o Bank of America, a leitura do CPI exige atenção aos detalhes, especialmente pela divergência entre bens e serviços.
“O CPI veio em linha com o esperado, mas os componentes que impactam o PCE indicam uma dinâmica mais complexa do que o número agregado sugere”, afirmam Stephen Juneau, Meghan Swiber e Alex Cohen.
O banco destaca que os bens apresentaram surpresa negativa, com queda de 0,1% no mês, refletindo recuos em itens como móveis, veículos e produtos médicos. Por outro lado, serviços vieram mais fortes que o previsto.
“Os serviços básicos mostraram pressão acima do esperado, com destaque para aluguéis e passagens aéreas”, dizem Juneau, Swiber e Cohen.
PCE e implicações para o Fed
Com base nos dados, o Bank of America revisou sua projeção para o núcleo do PCE, passando a acompanhar alta de 0,27% no mês e 3,3% em 12 meses. A revisão reflete, sobretudo, efeitos ligados a serviços financeiros e ao desempenho recente dos mercados.
“O avanço em serviços ligados a gestão de investimentos deve compensar a fraqueza observada em bens, elevando nossa estimativa para o PCE”, afirmam os analistas.
Apesar disso, a leitura geral não altera a expectativa para a política monetária. O banco avalia que o Federal Reserve deve manter postura cautelosa diante de riscos ainda presentes no cenário inflacionário.
“Os dados reforçam a visão de que o Fed deve permanecer em compasso de espera, com riscos ainda equilibrados entre inflação e atividade”, concluem Juneau, Swiber e Cohen.






