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Leilão de reserva de energia tem futuro indefinido

Leilão de reserva de energia tem futuro indefinido

O ministro determinou uma oitiva à Aneel para que apresente, em até cinco dias úteis, justificativas para eventual alteração do cronograma estabelecido em edital para o leilão

O leilão de reserva de energia (LRCAP) tem o futuro indefinido. Decisão do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira, foi pela não suspensão da homologação dos resultados do último certame.

Segundo dados da agência Eixos, a área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) havia solicitado essa suspensão devido aos preços-teto que foram considerados excessivamente altos. Além disso, houve um deságio baixo o que, de acordo com a agência reguladora, teria deixado a competição limitada.

Porém, o ministro determinou uma oitiva à Aneel para que apresente, em até cinco dias úteis, justificativas para eventual alteração do cronograma estabelecido em edital para o leilão; informação sobre eventual retomada dos procedimentos necessários ao prosseguimento do certame, inclusive, se for o caso, o agendamento de reunião extraordinária da diretoria da agência para deliberar sobre o tema.

O leilão foi destinado à negociação de energia de usinas hidrelétricas (UHE) e termelétricas (UTE) a gás natural e carvão mineral. De acordo com a Aneel, os Leilões de Reserva de Capacidade são realizados para contratar energia visando garantir a potência firme e a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Impacto temporário

O ruído provocado pelo relatório do TCU sobre o leilão de capacidade tende a ser temporário, na avaliação do Bradesco BBI. Em relatório, o banco afirmou ver baixa probabilidade de cancelamento do leilão de reserva de energia, diante dos impactos negativos que uma eventual suspensão poderia gerar sobre a previsibilidade regulatória e o custo de capital no Brasil.

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Segundo o BBI, uma interrupção do leilão também prejudicaria investimentos já realizados pelas empresas do setor, além do engajamento da cadeia global de fornecedores mobilizada para viabilizar os projetos contratados.

O banco destaca ainda que um eventual cancelamento exigiria a realização de novos leilões entre seis e 12 meses, possivelmente com preços mais elevados, em meio à alta dos combustíveis e à pressão global sobre os investimentos em geração térmica.

Na avaliação da instituição, a Eneva (ENEV3), que contratou 5,3 GW no leilão, segue negociando a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 12,5%, uma das mais elevadas da cobertura do banco. O cenário implicaria potencial de valorização de cerca de 32% em relação ao preço justo estimado em R$ 32 por ação.

Mesmo em um cenário mais conservador, utilizando os preços-teto iniciais do leilão como referência, o Bradesco BBI estima uma assimetria negativa limitada, de aproximadamente 10%.

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