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Trade das eleições começa em agosto, dizem gestores

Trade das eleições começa em agosto, dizem gestores

Pesquisa do Bank of America mostra nível de caixa acima da média histórica e apetite limitado por ações, apesar de expectativa positiva para o Ibovespa no ano

A maioria dos gestores de fundos da América Latina segue construtiva com a Bolsa brasileira, mas prefere aguardar agosto antes de montar posições mais direcionais pensando nas eleições. É o que revela a pesquisa mensal com gestores da região, conduzida pelo Bank of America e divulgada nesta segunda-feira.

O chamado “trade das eleições” — movimento típico em que investidores reposicionam carteiras de acordo com as perspectivas eleitorais — deve só começar em agosto, segundo 40% dos participantes do levantamento, enquanto outros 40% apostam num início mais antecipado.

O atraso em relação ao padrão histórico, que concentra esse movimento no segundo trimestre, é atribuído ao foco dos mercados no conflito entre Irã e Estados Unidos.

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Bolsa firme, mas caixa ainda elevado

Apesar do otimismo com o Ibovespa — 66% dos gestores esperam que o índice feche 2026 acima dos 190 mil pontos, ante 73% em abril —, o posicionamento segue cauteloso.

O nível de caixa dos fundos caiu de 7,4% para 6,4%, mas permanece acima da média histórica de 5,5%. Apenas 29% dos gestores pretendem aumentar a alocação em ações nos próximos seis meses, número bem abaixo da média histórica de 38%.

As estratégias preferidas são crescimento e alta qualidade. No recorte setorial, utilities segue como o setor com maior sobreponderação, seguido por energia. No lado oposto, os setores de consumo concentram as maiores subponderações, reflexo da cautela com o ciclo doméstico num ambiente de juros ainda restritivos.

Real ancorado e Selic sem consenso

No câmbio, as expectativas seguem bem ancoradas: a maioria dos gestores projeta o real entre R$ 4,81 e R$ 5,10 ao fim de 2026, e dois terços dos participantes enxergam um dólar mais fraco ao longo do ano.

Já em relação à taxa Selic, não há consenso sobre o nível de encerramento do ciclo — e 77% dos gestores acreditam que os riscos geopolíticos podem desacelerar o ritmo de afrouxamento monetário pelo Banco Central.

No restante da região, o Brasil segue favorito ante o México, cujas perspectivas de crescimento foram revisadas para baixo: os gestores agora projetam expansão do PIB mexicano entre 0% e 1% em 2026, ante a faixa de 1% a 2% estimada em abril. Entre os países andinos, o Chile é o mais bem avaliado, enquanto as visões sobre a Argentina permanecem divididas.

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