O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação dos preços na porta de fábrica excluindo impostos e frete, caiu 0,36% em abril de 2025 frente a março, quando havia registrado recuo de 0,62%. Esta é a terceira queda mensal consecutiva, consolidando uma trajetória de desaceleração no setor industrial.
Na comparação anual, o IPP aumentou 7,27%, levemente abaixo dos 8,37% registrados em março, indicando uma desaceleração também no ritmo de crescimento acumulado em 12 meses. No acumulado do ano, o índice apresenta retração de 0,93%.
Refino e extrativas lideram quedas
Entre as 24 atividades industriais analisadas, oito apresentaram recuo nos preços. O maior impacto veio do setor de refino de petróleo e biocombustíveis, com retração de 3,37% e influência de -0,35 ponto percentual no IPP geral. A queda está ligada à redução nos preços do óleo diesel, afetado diretamente pela baixa nos valores do petróleo bruto.
Outro destaque negativo foi o das indústrias extrativas, com queda de 4,43% — a mais intensa desde o início do ano. Esse setor já acumula retração de 12,33% em 2025 e -9,42% nos últimos 12 meses, impulsionado principalmente pelas quedas nos preços de minérios de ferro e óleos brutos de petróleo.
Desempenho das grandes categorias econômicas
Na divisão por grandes categorias econômicas, os bens intermediários apresentaram a maior queda mensal (-1,23%), puxando o índice geral para baixo com uma influência de -0,68 p.p. Já os bens de consumo subiram 0,83%, influenciados por alimentos e produtos de higiene, e bens de capital tiveram variação quase nula (0,01%).
Alimentos e farmacêuticos em alta
Em contraste com os setores em queda, os alimentos registraram alta de 0,72%, revertendo a trajetória negativa dos meses anteriores. Produtos como carne bovina, café e óleo de soja impulsionaram o setor, influenciado por fatores como desvalorização cambial e aumento da demanda externa.
O setor farmacêutico também teve destaque positivo, com alta de 2,87%. Já o segmento de perfumaria, sabões e produtos de limpeza subiu 1,26%, contribuindo para o equilíbrio do índice geral.
Acumulado no ano e em 12 meses traz contrastes
Apesar da queda recente, o IPP ainda reflete pressões de preços acumuladas. Nos últimos 12 meses, a maior alta foi observada em metalurgia, com 15,52%, seguida por alimentos (13,19%) e outros produtos químicos (11,94%). No acumulado do ano, porém, setores como metalurgia (-5,45%) e madeira (-3,86%) contribuíram para o resultado negativo da indústria como um todo.
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