O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,85% em maio, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda ocorre após uma alta de 0,30% registrada em abril e está próxima do piso das expectativas do mercado financeiro, que previa recuo entre 0,87% e 0,41%. Com o resultado, o IGP-DI acumula leve alta de 0,05% em 2025 e avanço de 6,27% nos últimos 12 meses.
Esse desempenho representa uma forte desaceleração em relação a maio de 2024, quando o índice havia subido 0,87% e acumulava alta de apenas 0,88% em 12 meses. O comportamento dos três subíndices que compõem o IGP-DI ajuda a explicar essa reversão.
Atacado puxa índice para baixo
O principal responsável pela deflação foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que mede a variação de preços no atacado. Em maio, o IPA-DI recuou 1,38%, revertendo a alta de 0,20% observada em abril. Essa queda indica alívio no custo dos insumos industriais e agrícolas, com reflexos em toda a cadeia de produção.
A queda nos preços de commodities e produtos agropecuários tem sido um dos principais motores dessa deflação no atacado. A retração no IPA representa um sinal de arrefecimento das pressões inflacionárias na base da economia.
Varejo e construção mantêm pressão moderada
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), que monitora os preços no varejo, desacelerou para 0,34% em maio, após ter registrado 0,52% em abril. Embora ainda positivo, o ritmo mais lento indica um ambiente de consumo mais estável.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), por sua vez, avançou 0,58% em maio, ligeiramente acima do resultado de abril (0,52%). Esse dado mostra que o setor da construção civil segue pressionado, principalmente por reajustes em materiais e mão de obra.
Resultado aponta estabilidade, mas com sinais mistos
O recuo no IGP-DI de maio mostra que, apesar de pressões isoladas em setores como a construção, o ambiente geral de preços está mais contido, especialmente no atacado. A deflação observada reforça a percepção de que o ciclo de inflação no Brasil está, pelo menos temporariamente, sob controle.
Ainda assim, o avanço acumulado de 6,27% em 12 meses mantém o índice em patamar elevado, sinalizando que o comportamento dos preços ainda merece atenção. Para os próximos meses, a trajetória do IGP-DI dependerá da dinâmica cambial, do comportamento das commodities e de possíveis choques externos.






