O real brasileiro acumulou uma das maiores apreciações entre moedas emergentes nos últimos meses, saindo de cerca de R$ 6,00 por dólar no início de 2025 para negociar abaixo dos R$ 4,90 recentemente. Mas o BTG Pactual acredita que o movimento tem prazo de validade.
Os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota projetam uma depreciação gradual da moeda ao longo do segundo semestre, com o dólar encerrando 2026 a R$ 5,10.
“Esperamos uma depreciação da taxa de câmbio até outubro, em razão da maior volatilidade no cenário doméstico”, afirmam os economistas.
O que diz o câmbio efetivo real
Para além da cotação de mercado, o BTG utiliza o modelo de taxa de câmbio efetiva real (REER, na sigla em inglês) para avaliar se o real está de fato valorizado ou desvalorizado em termos estruturais.

O REER compara o valor da moeda brasileira com uma cesta de moedas dos principais parceiros comerciais do Brasil, ajustando pela inflação relativa entre os países — ou seja, mede o poder de compra real do real frente ao restante do mundo.
“Nosso modelo de REER ainda indica espaço para apreciação, com estimativa de câmbio efetivo em cerca de R$4,7/US$. Contudo, o fechamento desse gap depende, prospectivamente, mais dos fatores domésticos”, explicam Frasson e Mota.
Fluxo atípico e risco eleitoral
A força recente do real não é exclusiva do Brasil – é reflexo de um fluxo de capital para mercados emergentes em nível raramente visto, comparável ao período de expansão chinesa entre 2006 e 2012.
“A recente apreciação do real é reflexo deste fluxo atípico nos últimos seis meses, impulsionado pelo aumento do risco geopolítico e pelas incertezas sobre valuations de empresas de tecnologia ao redor do mundo”, contextualizam os economistas.
Esse movimento, no entanto, tende a se reverter caso os conflitos internacionais se amenizem, o que reduziria o preço do petróleo, aumentaria a atratividade dos ativos de tecnologia nos EUA e voltaria a fortalecer o dólar globalmente.
“Entendemos que o cenário de maior probabilidade é de redução do fluxo para economias emergentes, aumento da volatilidade e esgotamento do fluxo para a moeda brasileira em torno do petróleo”, concluem Álvaro Frasson e Arthur Mota — sinalizando que o real pode ter chegado perto do seu ponto mais forte deste ciclo.
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