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IPCA-15 de abril vem abaixo do esperado, mas mercado vê piora qualitativa

IPCA-15 de abril vem abaixo do esperado, mas mercado vê piora qualitativa

Prévia da inflação avançou 0,89% em abril, abaixo da projeção de mercado de 0,98%, mas analistas alertam para pressão nos núcleos do índice

A divulgação do IPCA-15 de abril, que ficou em 0,89% e veio abaixo da expectativa do mercado de 0,98%, foi recebida pelos analistas com cautela.

Segundo as fontes ouvidas pelo EuQueroInvestir, EQI Investimentos e PicPay, a despeito da surpresa baixista no índice cheio, a composição do dado mostrou piora qualitativa, com aceleração nos núcleos e itens subjacentes.

Para eles, a leitura de um cenário inflacionário desafiador se mantém. Além disso, o movimento deve influenciar a magnitude dos próximos cortes de juros pelo Banco Central.

Os dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (28) apontam que o índice acumula alta de 2,39% no ano e de 4,37% nos últimos doze meses, acima dos 3,9% registrados nos doze meses imediatamente anteriores. Os principais impactos vieram dos grupos Alimentação e bebidas (1,46%) e Transportes (1,34%), com a gasolina como item de maior impacto individual (alta de 6,23%, com contribuição de 0,32 ponto percentual).

“O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,89%, abaixo da expectativa de mercado (0,98%), mas com aceleração na comparação anual para 4,37% (de 3,89%), indicando que, apesar da surpresa baixista no índice cheio — concentrada principalmente em serviços, com impacto de passagens aéreas e combustíveis, além de alimentação menos pressionada —, a composição qualitativa foi pior, com maior pressão nos núcleos e itens subjacentes, enquanto o alívio veio sobretudo de componentes mais voláteis”, afirmou Igor Cadilhac, economista da EQI Investimentos.

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IPCA-15 de abril: Núcleos seguem pressionados

As passagens aéreas registraram deflação de 14,32%, com a inflação de serviços passando de 0,49% em março para 0,03% em abril. Já os serviços subjacentes mostraram comportamento estável, com leve recuo de 0,49% para 0,45%.

O índice de difusão, que mede a proporção de itens com alta no período, subiu de 63,2% para 67,03% entre março e abril.

“Com isso, o cenário inflacionário segue desafiador, com persistência de pressões, inclusive ligadas ao petróleo, e um longo caminho até a convergência à meta, mantendo projeção de IPCA em 4,8% para 2026”, projetou o economista da EQI Investimentos.

Selic em xeque

O comportamento da inflação de bens industriais é o ponto que mais chamou atenção das casas de análise. O indicador saiu de 0,23% em março para 0,65% em abril, movimento que pode pressionar os núcleos da inflação nos próximos meses e afetar diretamente as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

“A combinação da maior rigidez apresentada pelo core do grupo combinado com a alta da inflação de bens industriais (que saiu de 0,23% em março para 0,65% em abril) indica uma possível reversão do comportamento benigno observado em março das principais métricas de núcleo da inflação acompanhadas pelo mercado e Banco Central”, avaliou Matheus Pizzani, economista do PicPay.

Para o economista, a piora qualitativa do índice deve recalibrar as apostas do mercado para a próxima reunião do Copom e afastar cenários mais agressivos de afrouxamento monetário.

“Além de reforçar a expectativa por um corte de 25 bps na próxima reunião do Copom, tal composição deve reduzir significativamente o otimismo daqueles que esperavam uma queda de 50 bps nas próximas reuniões”, afirmou Pizzani.

O cenário, contudo, não inviabiliza cortes de juros de maior magnitude ao longo do ano. O ritmo da flexibilização monetária dependerá do comportamento dos núcleos, especialmente do componente de bens industriais, que sofre pressão dupla: dos custos ao longo da cadeia produtiva, captados pelos IGPs, e da valorização cambial, que historicamente atua para conter a alta de preços nessa categoria.

“A resultante destes impactos tende a definir a trajetória do núcleo da inflação e, por consequência, apoiar de maneira mais incisiva as decisões vindouras do BC”, concluiu o economista do PicPay.

Perguntas frequentes sobre o IPCA-15 de abril

A leitura abaixo do esperado, a piora nos núcleos e o impacto sobre a Selic estão entre os principais pontos do IPCA-15 de abril. Confira abaixo as respostas para as dúvidas mais comuns.

Quanto foi o IPCA-15 de abril de 2026?

A prévia da inflação subiu 0,89% em abril, abaixo da expectativa do mercado de 0,98%. O índice acumula alta de 2,39% no ano e de 4,37% nos últimos doze meses, ante 3,9% nos doze meses imediatamente anteriores.

Por que o número veio abaixo do esperado, mas o mercado reagiu com cautela?

A surpresa baixista no índice cheio foi puxada por componentes mais voláteis, como a deflação de 14,32% nas passagens aéreas. Os núcleos e itens subjacentes mostraram piora, com a inflação de bens industriais saltando de 0,23% para 0,65% entre março e abril, sinal de que a pressão inflacionária pode persistir nos próximos meses.

Quais foram os itens com maior impacto no IPCA-15 de abril?

Os grupos Alimentação e bebidas (1,46%) e Transportes (1,34%) tiveram os maiores impactos. A gasolina foi o item de maior impacto individual, com alta de 6,23% e contribuição de 0,32 ponto percentual no índice geral.

Como o IPCA-15 afeta a próxima decisão do Copom sobre a Selic?

Para o PicPay, o dado reforça a expectativa de corte de 25 pontos-base na próxima reunião do Copom e reduz o espaço para cenários mais agressivos, como cortes de 50 pontos-base. A trajetória dos núcleos será determinante para as decisões seguintes do Banco Central.

Como o Ibovespa e o dólar reagiram ao IPCA-15?

O Ibovespa operava em queda de 0,69% por volta das 10h50, aos 188.269 pontos. O dólar comercial mostrava estabilidade, cotado a R$ 5,0041, alta marginal de 0,04% ante o fechamento anterior.

Qual a projeção para o IPCA fechado de 2026?

A EQI Investimentos projeta IPCA de 4,8% para 2026, leitura que reflete a persistência de pressões inflacionárias e o longo caminho até a convergência à meta perseguida pelo Banco Central.