A taxa Selic poderá passar por aperto monetário acelerado caso a economia mostre sinais de aquecimento, afirmou o diretor do Banco Central (BC) e futuro presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, em declarações nesta sexta-feira (29), em evento da Febraban. O BC, sugere ele, precisará “apertar o acelerador” para conter avanços inflacionários se necessário.
A fala de Galípolo reflete a preocupação da autoridade monetária com a desancoragem das expectativas de inflação, que foi uma das razões para o início do último ciclo de alta nos juros. “A função de reação do BC foi justamente em resposta à desancoragem”, afirmou, ressaltando que a instituição permanece atenta aos sinais do mercado.
Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central subiu a Selic em 50 pontos-base, de 10,75% para 11,25%, em decisão amplamente aguardada pelo mercado.
Na quinta-feira (28), o banco norte-americano JPMorgan (JPM; JPMC34) revisou suas projeções e passou a estimar que o Copom elevará a taxa básica de juros em 1 ponto percentual na reunião marcada para os dias 10 e 11 de dezembro.
Segundo o banco americano, a mudança reflete o diagnóstico de um aprofundamento do conflito entre política fiscal e monetária após o anúncio do pacote fiscal do governo federal.
Gabriel Galípolo reforça importância do câmbio flutuante
Outro ponto destacado pelo diretor foi o papel crucial do câmbio flutuante no atual cenário econômico. Segundo Galípolo, a flexibilidade do regime cambial permite ao Brasil absorver choques externos de maneira mais eficiente, uma ferramenta importante diante das incertezas globais.
“A inflação corrente e as expectativas desancoradas são uma preocupação para toda a diretoria do BC”, pontuou Galípolo, sublinhando que o descolamento das expectativas não está apenas relacionado aos gastos do governo, mas ao aquecimento da economia como um todo.
Em relação às medidas econômicas propostas pelo governo, o diretor destacou que há consenso sobre a necessidade de aprovação rápida do pacote, mas reforçou que o BC seguirá acompanhando os detalhes para avaliar seu impacto. “Temos que acompanhar o detalhamento para entender seus efeitos”, disse.
Ontem (28), o diretor do BC havia reforçado a independência do banco em sua atuação, enfatizando que o papel da instituição é técnico e focado na explicação do comportamento dos ativos, sem extrapolar sua alçada na formulação de políticas. “O BC sempre é chamado para explicar o que ocorre no mercado, mas não para ditar o que deve ser feito”, concluiu.
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