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Flávio à frente: compressão de risco e reformas no radar

Flávio à frente: compressão de risco e reformas no radar

EQI Research vê Flávio Bolsonaro como favorito no segundo turno e avalia que o avanço da centro-direita no Congresso pode favorecer reformas fiscais e reduzir os prêmios de risco

O que as eleições para as prefeituras em 2024 já haviam sinalizado, as urnas de 2026 confirmaram.

A maioria do bloco de centro-direita no Congresso se tornou mais forte. Na Câmara dos Deputados, os resultados preliminares apontam maioria. No Senado, 80% dos votos serão desse grupo, com o PL conseguindo a maior bancada, quase o triplo do segundo colocado, o PT (27, ante 10 da legenda de esquerda). União, MDB e PP serão outros partidos com forte representatividade (8, 8 e 6 senadores, respectivamente).  

Essa confirmação traz duas consequências para 2027:

  1. caso Flávio Bolsonaro seja eleito, haverá ampla maioria para reformas e medidas fiscais;
  2. caso Lula seja reeleito, a relação com o Congresso será ainda mais complicada.

Composição do Senado a partir de 2027 (81 cadeiras)

Composição do Senado a partir de 2027 (81 cadeiras)
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research. 

O gráfico abaixo mostra que 17 governadores de centro-direita já foram eleitos e somente 3 de esquerda. A esquerda estará em 2 disputas de segundo turno, enquanto a centro-direita estará em 12. A reeleição em 1º turno do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo era esperada, mas veio com votação acima do estimado pelas pesquisas.

Governadores: Resultados do primeiro turno (por partido) 

Governadores: Resultados do primeiro turno (por partido) 
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research.

A performance do candidato Douglas Ruas no Rio de Janeiro mostrou que o forte momento da campanha nas últimas semanas se materializou em maioria de votos já no primeiro turno.

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Presidente de centro-direita?

O candidato Flávio Bolsonaro ganhou o primeiro turno das eleições presidenciais, desafiando a maioria das pesquisas eleitorais. Nosso Agregador EQI Research utilizou a média de 11 pesquisas públicas, e indicou para o primeiro turno que o presidente Lula teria 44,8% e Flávio 43% dos votos válidos. As urnas mostraram Flávio com 47% e o presidente Lula com 45%.

Esses erros já ocorreram em eleições anteriores, quando em 2022 a média das pesquisas subestimou o ex-presidente Bolsonaro em 4,4 pontos percentuais. Dessa vez, o erro médio foi de 4 pontos percentuais. Ou seja, as mudanças metodológicas dos institutos não foram suficientes para evitar um erro igual ao de 2022.  

Presidente: Resultado do primeiro turno (em % de votos válidos) 

Presidente: Resultado do primeiro turno (em % de votos válidos) 
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research.

Quantitativamente, é pequeno o espaço para uma virada de Lula. Votos brancos e nulos se mantiveram próximos das mínimas registradas em 2022. Vale lembrar que a média histórica antes de 2022 era de 9%, próxima do registrado em 2018, de 8,8%.

Ou seja, houve uma mudança histórica de 2022 que favoreceu o presidente Lula. Mas em 2026 os brancos e nulos continuaram nas mínimas, e mesmo assim o candidato Flávio veio na frente. Assim, não parece haver espaço para que o presidente Lula consiga votos nessa categoria.

Brancos, nulos e abstenção: Resultados de primeiro turno 

Brancos, nulos e abstenção: Resultados de primeiro turno 
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research.

Além disso, a terceira via registrou quase a mesma quantidade de votos que em 2022 (9,3 milhões, ante 9,9 milhões). Assim, o presidente Lula precisaria conquistar uma quantidade proporcionalmente grande desse grupo de eleitores. No entanto, segundo pesquisa Datafolha, a maioria dos votos da terceira via deverá ir para o candidato Flávio, como pode ser visto na tabela 3, logo abaixo.  

Uma simulação com esses valores apontaria para uma vitória de Flávio Bolsonaro por quase 4 milhões de votos no segundo turno.  

Ou seja, o candidato Flávio é favorito para vencer a eleição presidencial de 2026.

Terceira via: Resultados de primeiro turno

Terceira via: Resultados de primeiro turno
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research.

Potencial transferência de votos para o segundo turno (por candidato/segmento)

Potencial transferência de votos para o segundo turno (por candidato/segmento)
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research.

Simulação do resultado presidencial no segundo turno (por votos e participação) 

Simulação do resultado presidencial no segundo turno (por votos e participação) 
Fonte: TSE. Elaboração: EQI Research.

Diante desse cenário mais favorável que o esperado para a oposição, uma valorização dos ativos domésticos é esperada, mas ainda há pontos de atenção que devem levar a uma incorporação gradual dessa melhora de expectativas aos preços ao longo dos próximos meses, permitindo que os investidores rebalanceiem suas carteiras de forma progressiva nesse período.

Confirmada a vitória de Flávio à Presidência, monitoraremos os seguintes eventos:

  1. uma “PEC da Transição” às avessas, em que o novo governo anunciaria e enviaria ao Congresso uma proposta de cortes de gastos antes de assumir. O tamanho e composição dessa proposta serão relevantes para entender como será feita a primeira parte do ajuste fiscal.
  2. entre fevereiro e março de 2027 tomará posse o novo Congresso, serão eleitas as presidências de ambas as Casas e iniciarão as negociações políticas de apoio às medidas que o novo governo pretenderá implementar. Esses eventos mostrarão a capacidade de articulação política do novo governo.
  3. as propostas de ajuste fiscal em si. Caso a composição seja concentrada em temas como privatização, de prazo longo e implementação incerta, os efeitos imediatos nas contas públicas tendem a ser menores.

Dessa forma, o resultado eleitoral deve alterar as expectativas dos investidores, levando à compressão dos prêmios de risco dos ativos brasileiros, que se encontravam em patamares historicamente elevados, e favorecendo seu desempenho nos próximos dias.  

Contudo, esse movimento deve representar apenas parte do potencial de valorização desses ativos. Uma alta mais expressiva tende a ocorrer após a aprovação de medidas que permitam uma redução estrutural dos juros futuros, maior crescimento econômico e melhora da rentabilidade das empresas.

Como os efeitos dessas medidas sobre a economia tendem a se materializar gradualmente, os investidores devem ter tempo para realocar suas carteiras em direção aos ativos mais beneficiados por esse cenário.  

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