O Ibovespa hoje (5) encerrou o pregão em forte alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, impulsionado pela reação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Durante a sessão, o principal índice da Bolsa brasileira chegou aos inéditos 209.605,70 pontos, com avanço superior a 9% na máxima do dia.
Na mínima, o Ibovespa marcou 192.137,63 pontos, praticamente em linha com o fechamento de sexta-feira (2). O volume financeiro alcançou R$ 103,30 bilhões, mais que o dobro dos R$ 42,90 bilhões movimentados no pregão anterior.
Com o resultado, o índice acumulava valorização de 11,04% em outubro e de 28,42% em 2026.
Resultado eleitoral provoca reprecificação dos ativos
O movimento ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Os dois candidatos voltam a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O desempenho de Flávio acima das projeções das pesquisas aumentou, na leitura do mercado, a possibilidade de alternância de poder e de mudanças na condução da política fiscal a partir de 2027. Essa percepção levou à redução dos prêmios de risco incorporados aos ativos brasileiros.
“O Ibovespa registrou um forte desempenho nesta segunda-feira, impulsionado pela forte reação positiva dos investidores ao desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais. Mais do que o alívio imediato, o resultado das urnas trouxe uma sensível melhora nas perspectivas para a trajetória da dívida pública”, afirmou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
A reação também apareceu no câmbio e na curva de juros. O dólar comercial caiu 4,12%, negociado a R$ 5,001 na venda, após atingir a mínima de R$ 4,953. A valorização do real ocorreu na contramão do exterior, onde o índice DXY avançava 0,21%.
Os juros futuros também recuaram com força. Contratos de prazo mais longo chegaram a registrar quedas superiores a 1,35 ponto percentual durante a sessão, em um movimento de redução das expectativas de risco fiscal.
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Bancos, B3 e varejistas lideram rali
A alta foi disseminada entre as ações. Ao longo da tarde, o BTG Pactual (BPAC11) chegou a avançar cerca de 26%, enquanto a B3 ($B3SA3) subiu aproximadamente 25%. O Magazie Luiza (MGLU3) disparou mais de 26%, acompanhada por ganhos expressivos de construtoras, varejistas e administradoras de shopping.
As ações dos grandes bancos também registraram valorizações de dois dígitos. O Banco do Braisl (BBAS3) avançou cerca de 13%, enquanto Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Itaúsa (ITSA4) subiram mais de 10% durante o pregão.
A Petrobras (PETR4) Vacompanhou o movimento positivo. As ações ordinárias da petroleira ganharam mais de 10% e renovou sua máxima histórica, apesar da queda dos preços do petróleo no exterior. O avanço da estatal ajudou a sustentar o Ibovespa, enquanto a Vale (VALE3) operou em baixa durante parte da sessão.
O rali brasileiro contrastou com as variações mais moderadas em Wall Street. O Dow Jones subiu 0,18%, o S&P 500 avançou 0,67% e o Nasdaq ganhou 1,05%.
“Essa performance mais amena no exterior evidencia que o vigoroso rali observado no Brasil foi um fenômeno predominantemente local, impulsionado por fatores domésticos descolados da dinâmica mais compassada dos mercados internacionais”, explicou Rebecca Nossig.






