Após o escândalo envolvendo a Americanas (AMER3) a Comissão de Valores Mobiliários – CVM questiona o risco sacado envolvendo outras varejistas e atacadistas. Isto porque a prática está no cerna da crise que estourou na recuperação judicial da Americanas, na semana passada.
Segundo matéria do jornal Valor Econômico, pelo menos nove companhias do segmento estariam na mira da autarquia controladora. A CVM confirmou que encaminhou via Superintendência de Relações com Empresários (SEP) consulta sobre o tema. E esse tipo de solicitação não é tão recente. Em 2016, a mesma CVM já havia externado sua preocupação com o risco sacado.
Essa prática envolve três agentes: a própria empresa, os fornecedores e os bancos. A primeira usa os recebíveis dos clientes para conseguiu alavancagem junto aos bancos, obtendo financiamento. A questão é que, por serem recebíveis, essa alavancagem não é vista como passivo.
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CVM questiona o risco sacado: entenda melhor
Após o faturamento dos produtos, com prazo de vencimento prolongado, o fornecedor recebe o pagamento via instituição financeira e o varejista passa a ter sua dívida com essa instituição e não mais com a indústria fabricante. Esse prazo pode ser prorrogado para até 360 dias, como é o caso de algumas das operações feitas pela Americanas.
Essa dívida, no balanço, deve ser lançada no campo relativo a dívidas com instituições financeiras. No caso da Americanas (AMER3), aparentemente, o risco sacado foi lançado no campo de dívidas com fornecedores, e há dúvidas até sobre se os lançamentos foram realmente efetuados, de acordo com declarações do ex-CEO Sergio Rial, que ficou no cargo por apenas dez dias e renunciou após a revelação das “inconsistências”.
Outras empresas do ramo, como a Via (VIIA3), informou que utiliza em seus lançamentos de risco sacado a rubrica “Fornecedores convênio”, deixando claro que é um montante separado da dívida direta com os fornecedores.
A empresa informa ainda, por meio de notas explicativas, que o prazo médio dessas operações é de 90 dias, e que elas são afetadas por juros de cerca de 19% ao ano.
Já o Magazine Luiza (MGLU3) informou que opera de forma diferente, a partir de ações com bancos conveniados que terminam lançadas como receita no balanço, uma vez que a empresa recebe comissão da instituição financeira que faz o pagamento – que acaba realizando uma espécie de desconto de recebíveis, operação tradicional dentro do sistema bancário.
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Cronologia da crise da Americanas (AMER3)
Entenda melhor a sequência de episódios que levaram a Americanas a chegar até o pedido de recuperação judicial:
- 11 de janeiro: após fim do pregão, companhia divulga fato relevante informando ter detectado inconsistências de R$ 20 bilhões e renúncia do então CEO, Sérgio Rial;
- 12 de janeiro: em um primeiro momento, credores concordaram em rolar dívida; em primeiro pregão após fato do dia 11, ação tem queda de 76%; e grupo de investidores estuda medida para proteger acionistas minoritários;
- 13 de janeiro: CVM abre processos para investigar inconsistências; auditoria da PwC é supostamente colocada sob dúvida; empresa reconhece dívida de R$ 40 bilhões e recuperação judicial começa a ser considerada; empresa entra com tutela de urgência para impedir vencimento antecipado de dívidas;
- 16 de janeiro: BTG vai à justiça para bloquear R$ 1,2 bi da Americanas (AMER3); João Duarte Guerra é nomeado novo CEO;
- 17 de janeiro: juros remuneratórios de debêntures não são pagos a investidores; empresa contrata CFO Camille Faria, especialista em atuar em recuperação judicial; empresa sofre rebaixamento de ratings;
- 18 de janeiro: CVM estuda punição individual a envolvidos;
- 19 de janeiro: Bradesco (BBDC4) e Itaú-Unibanco (ITUB4) pedem que companhia precise de autorização judicial para realizar saques; Americanas (AMER3) entra com pedido oficial de recuperação judicial reconhecendo dívidas de R$ 40 bilhões.
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