A Irani (RANI3) apresentou resultados abaixo das expectativas do BTG Pactual no 1TRI26, impactada por fatores sazonais mais fracos e eventos não recorrentes que afetaram produção e custos operacionais. Apesar disso, o banco avalia que os problemas foram pontuais e manteve recomendação de compra para as ações da companhia, citando valuation atrativo e potencial de retorno aos acionistas.
Segundo o relatório do BTG, o Ebitda da Irani somou R$ 114 milhões no trimestre, valor 6% inferior às projeções da instituição financeira.
Parte do desempenho mais fraco foi atribuída a paradas programadas de manutenção e a um problema técnico em um transformador da unidade de Vargem Bonita. Ainda assim, o banco estima que, desconsiderando os efeitos extraordinários, o Ebitda ajustado teria ficado próximo de R$ 120 milhões, praticamente em linha com as expectativas iniciais.
Custos mais altos pressionam operação da Irani
O desempenho operacional da Irani no 1TRI26 foi impactado principalmente pelo aumento de custos ligados ao período de manutenção mais intenso. O custo caixa por tonelada atingiu R$ 3.283, alta de 8% na comparação trimestral e avanço de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com o BTG, o aumento foi provocado por compras complementares de papéis rígidos e maiores gastos com energia adquirida de terceiros. Em contrapartida, houve alívio nos custos de OCC, matéria-prima importante para a produção da companhia, cujo preço caiu para R$ 997 por tonelada.
Os volumes consolidados da Irani ficaram em 71 mil toneladas no trimestre, em linha com as expectativas do mercado. No segmento de papel para embalagens, houve retração causada pelas paradas programadas em máquinas da companhia, enquanto os preços permaneceram resilientes, ajudando a compensar parcialmente os impactos negativos sobre a rentabilidade.
Fluxo de caixa negativo não preocupa analistas
Outro ponto destacado no relatório sobre a Irani foi o fluxo de caixa livre negativo no 1TRI26. Segundo o BTG, o resultado foi influenciado pelo maior volume de investimentos realizados no período, além de despesas financeiras mais elevadas.
O fluxo de caixa livre para o acionista ficou negativo em R$ 28 milhões no trimestre. Ainda assim, o banco acredita que esse cenário deve melhorar ao longo do ano, à medida que os investimentos diminuam e a geração operacional de caixa avance.
A expectativa do BTG é que a Irani entregue um yield de fluxo de caixa livre entre 13% e 14% em 2026. Para os analistas, a normalização do capex deve contribuir para uma recuperação gradual da geração de caixa da companhia nos próximos trimestres.
BTG vê ação descontada após queda recente
Mesmo com o desempenho mais fraco no 1TRI26, o BTG afirma que a tese de investimentos da Irani permanece intacta. O banco destaca que as ações acumulam queda de cerca de 17% no último mês, movimento que já teria incorporado os ruídos operacionais observados no trimestre.
Os analistas também ressaltam que a empresa continua negociando a múltiplos considerados atrativos, abaixo de 5 vezes EV/Ebitda projetado para 2026. Além disso, a expectativa é de retorno relevante aos acionistas nos próximos anos.
Para o BTG, a Irani segue como uma das empresas mais resilientes do setor de papel e embalagens. O banco acredita que os investimentos realizados nos últimos anos por meio do programa Gaia devem continuar trazendo ganhos operacionais e sustentando a expansão da rentabilidade da companhia.






