A construção civil no Brasil voltou a demonstrar preocupação com uma nova escalada de custos em insumos estratégicos, como cimento, aço e resinas, em meio aos efeitos indiretos da guerra no Irã sobre combustíveis, fretes e cadeias globais de suprimentos. O movimento já começa a afetar orçamentos de obras e amplia a pressão sobre o setor, segundo entidades e analistas do mercado.
De acordo com o Sinduscon-SP, os produtores de cimento elevaram os preços em cerca de 12% no fim de março e anunciaram um novo reajuste de aproximadamente 10% na semana passada. No mesmo período, siderúrgicas indicaram aumento médio de 8% no preço do aço, impactando diretamente materiais como vergalhões e chapas, amplamente utilizados em projetos de infraestrutura e construção.
A entidade alerta ainda para possível contaminação de custos em outros insumos industriais, como tintas e resinas, à medida que os estoques são reduzidos. Diante desse cenário, o sindicato convocou uma reunião extraordinária para discutir medidas emergenciais para o setor.
Pressão de custos na construção civil e impacto em obras de infraestrutura
No mercado financeiro, analistas da Ágora Investimentos e do Bradesco BBI avaliam que a alta dos insumos deve pressionar os custos de investimento (capex) em projetos de infraestrutura, embora haja mecanismos que podem mitigar parte do impacto.
“Empresas do setor de concessões, como Motiva e Ecorodovias, costumam contratar obras com antecedência, o que reduz parte da exposição a oscilações de preços de insumos”, destacam os analistas. Segundo eles, esse modelo contratual ajuda a suavizar efeitos de choques de curto prazo.
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As instituições também apontam que há compartilhamento de riscos com empresas de engenharia (EPC), o que contribui para diluir parte da pressão inflacionária. No caso da Ecorodovias, os analistas destacam ainda que uma parcela relevante dos contratos prevê reequilíbrio econômico-financeiro, mecanismo que pode ser acionado em cenários de inflação elevada.
Além disso, o custo do CAP (cimento asfáltico de petróleo) tem apresentado variação inferior ao IPCA em projetos recentes, o que ajuda a conter parcialmente o impacto nos orçamentos.
Ainda assim, o setor da construção civil segue monitorando a evolução dos preços, diante do risco de novos reajustes ao longo da cadeia produtiva e de possíveis repasses para fases futuras das obras.






