A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou drasticamente suas projeções para o mercado global de petróleo e agora prevê uma queda na demanda em 2026. O novo cenário reflete os impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou diretamente as cadeias de suprimento e provocou um choque significativo na oferta.
Segundo o relatório divulgado nesta terça-feira (14), o consumo mundial de petróleo deve atingir 104,26 milhões de barris por dia em 2026, levemente abaixo dos 104,34 milhões estimados para 2025. A mudança representa uma retração média de 80 mil barris por dia, revertendo a expectativa anterior de crescimento.
Choque de oferta e alta de preços pressionam demanda
A AIE classificou o momento atual como o “choque de oferta mais grave da história”. A redução na oferta foi impulsionada principalmente por ataques a infraestruturas energéticas no Golfo e restrições no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação do mundo.
Em março, a oferta global caiu cerca de 10,1 milhões de barris por dia, atingindo 97 milhões. A tendência de queda deve continuar no curto prazo, com nova retração prevista para abril. Esse cenário de escassez elevou os preços internacionais do petróleo, o que, por sua vez, tem reduzido o consumo, especialmente em regiões como Oriente Médio e Ásia-Pacífico.
Maior queda desde a pandemia de Covid-19
O impacto já é visível no curto prazo. No segundo trimestre de 2026, a demanda deve cair 1,5 milhão de barris por dia em relação ao ano anterior, o maior recuo desde a crise provocada pela COVID-19.
A retração tem sido mais intensa em segmentos como combustível de aviação e gás de petróleo liquefeito (GLP), amplamente utilizado em atividades domésticas.
Incertezas e recuperação dependem de rotas comerciais
Apesar do cenário negativo, a AIE projeta uma possível recuperação gradual caso as rotas comerciais sejam restabelecidas. A reabertura do Estreito de Ormuz e a normalização das exportações do Oriente Médio podem estabilizar o mercado, embora o retorno aos níveis anteriores ao conflito ainda seja incerto.
A agência destaca que seriam necessários cerca de dois meses para restabelecer fluxos mais consistentes de petróleo, caso a situação geopolítica se estabilize.






