A Plano&Plano (PLPL3) registrou um primeiro trimestre de 2026 abaixo das expectativas, com vendas líquidas, velocidade de comercialização e fluxo de caixa aquém das estimativas do BTG Pactual. Mesmo assim, o banco manteve a recomendação de outperform (compra) para o papel.
As vendas líquidas totalizaram R$ 842 milhões no período, queda de 2% na comparação anual e resultado 16% inferior à projeção do BTG. As vendas brutas somaram R$ 941 milhões, alta de 1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, mas os cancelamentos avançaram 35%, chegando a R$ 100 milhões — e pressionaram o resultado final.
“A velocidade de vendas foi modesta, de 17%, contra 21% um ano atrás”, aponta o relatório, sinalizando perda de ritmo comercial relevante na comparação anual.
Lançamentos e queima de caixa
Os lançamentos também vieram abaixo do esperado. A companhia lançou R$ 989 milhões em novos empreendimentos no primeiro trimestre, queda de 16% na comparação anual e resultado 5% abaixo da estimativa do banco.
No fluxo de caixa, o resultado também decepcionou. A Plano&Plano registrou uma queima de caixa de R$ 80 milhões no período, acima da projeção de R$ 50 milhões do BTG. Contudo, a empresa apresentou explicações para o desempenho.
“A companhia mencionou que ainda há R$ 50 milhões a receber de projetos Pode Entrar no segundo trimestre, e que grande parte das vendas do primeiro trimestre ocorreu por meio de corretores terceirizados, cujas transferências de recebíveis geralmente acontecem no trimestre seguinte”, detalha o relatório — o que indica que o fluxo de caixa deve se recuperar no segundo trimestre de 2026.
Valuation sustenta recomendação
Apesar do trimestre fraco, o BTG não alterou sua visão sobre o papel. O argumento central é o valuation: “a ação negocia a um múltiplo atrativo de 5 vezes o lucro estimado para 2026”, segundo o relatório — patamar considerado baixo para uma empresa inserida num segmento com demanda estrutural.
O banco também destaca o bom momento do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) como suporte à tese. “O forte momentum do MCMV, com boa acessibilidade continuando a impulsionar demanda sólida”, é apontado como fator-chave para manter a convicção na companhia.
No entanto, o BTG reconhece que o resultado operacional do período foi “fraco”, com velocidade de vendas abaixo do previsto e queima de caixa acima do esperado — e que o desempenho do segundo trimestre será determinante para confirmar a recuperação projetada.
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