O anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã provocou uma reação generalizada de alívio nos mercados nesta quarta-feira (8).
Com a redução temporária do risco geopolítico e do temor de uma interrupção mais severa na oferta global de energia, investidores voltaram a buscar ativos de risco, impulsionando bolsas ao redor do mundo e reduzindo a pressão sobre o dólar e os juros.
O movimento foi generalizado. Por volta de 11h40 e 11h55, o Ibovespa subia 1,76%, aos 191.577 pontos, enquanto o Dow Jones avançava 2,27%, o S&P 500 ganhava 1,99% e o Nasdaq subia 2,39%.
Na Europa, o DAX tinha alta de 4,58%, o CAC 40 avançava 4,39% e o Euro Stoxx 50 ganhava 4,52%.
Na Ásia, a reação também foi forte, com alta de 5,39% do Nikkei, avanço de 6,87% do Kospi, ganho de 3,09% do Hang Seng e valorização de 2,69% do índice de Xangai.
O pano de fundo, segundo casas de análise, é a desmontagem parcial das proteções montadas nas últimas semanas, em meio à percepção de que o risco imediato sobre o fluxo de petróleo perdeu força.
Alívio geopolítico amplia apetite por risco
Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo levou o mercado a um ambiente claro de risk-on, com rotação para ativos mais arriscados, alívio na taxa de câmbio e redução de parte dos temores de inflação persistente.
A estrategista também destacou que a queda do petróleo ajudou a aliviar os juros futuros, enquanto o ouro voltou a ganhar atratividade relativa na comparação com os Treasuries, em um ambiente de possível recomposição de fluxos por parte de bancos centrais.
“Os mercados adotam nesta manhã um forte sentimento de risk-on, com o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã motivando busca por ativos de risco após semanas de volatilidade intensa e aliviando a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado. A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros”, disse Zogbi.
Além da alta das bolsas, a trégua também bateu em cheio nas commodities energéticas.
Em material distribuído para clientes, o BTG Pactual (BPAC11) destacou queda de 16% do WTI, para US$ 94,56 o barril, e recuo de 14% do Brent, para US$ 93,74. O banco também apontou avanço de 3,9% do EWZ no pré-mercado, além de queda de 9% dos ADR da Petrobras, em um reflexo direto da correção do petróleo.
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Queda do petróleo melhora o pano de fundo para ativos brasileiros
Para o Bradesco BBI, o alívio geopolítico melhora o pano de fundo para os ativos domésticos ao favorecer principalmente o câmbio e a curva de juros, em meio à combinação de dólar mais fraco e recuo dos rendimentos dos Treasuries.
O banco pondera, contudo, que a reação tende a ser desigual entre os papéis brasileiros, com ações ligadas ao petróleo pressionadas pela forte desvalorização da commodity, enquanto outros ativos podem se beneficiar mais diretamente da melhora do humor externo.
Apesar da euforia desta quarta, a leitura das casas não é de resolução definitiva da crise. Zogbi chamou atenção para o fato de que o cessar-fogo não elimina as incertezas e que o tom dos líderes envolvidos continua indicando tensões relevantes.
Assim, mesmo com a retomada do apetite por risco, a orientação segue sendo manter diversificação entre classes, teses, moedas e geografias.
“Importante notar que o cessar-fogo não necessariamente significa o fim das incertezas, e o tom dos líderes políticos envolvidos no conflito continua indicando tensões significativas. Aproveitar oportunidades não significa descuidar da parcela de proteção do portfólio e a diversificação de classes, teses, moedas e geografias permanece fundamental”, disse a estrategista-chefe da Nomad.






