O resultado do primeiro trimestre de 2026 do banco Santander (SANB11) foi recebido com cautela pelo mercado, após o banco Safra classificar os números como ligeiramente negativos para as ações. Apesar de o lucro por ação ter vindo em linha com as expectativas da casa, o desempenho ficou 6% abaixo do consenso, reforçando uma leitura mais conservadora por parte dos analistas.
Segundo o Safra, a contração nos resultados já era amplamente antecipada, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE – Return on Equity) em torno de 16%. No entanto, a frustração em relação às estimativas de mercado e a piora na qualidade dos ativos acabaram pesando na avaliação geral do trimestre.
Um dos principais pontos de atenção foi a deterioração contínua da qualidade dos ativos. O banco destacou que os indicadores de inadimplência seguiram em trajetória de alta, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico. Os índices de NPLs acima de 90 dias atingiram 4,9% na carteira de pessoa física e 6,0% entre pequenas e médias empresas, níveis que permanecem sob forte monitoramento do mercado.
Apesar disso, houve um alívio parcial na inadimplência de curto prazo, que não apresentou deterioração além do padrão sazonal. Ainda assim, o Safra ressalta que a dinâmica das provisões segue como um ponto de preocupação relevante, sobretudo diante da formação de créditos em estágio mais avançado de risco.
Receita e provisões
No campo operacional, o lucro antes das provisões ficou em linha com as estimativas do Safra, indicando alguma estabilidade na geração de resultados recorrentes. Contudo, o banco alerta que a leitura do lucro antes de impostos (EBT) deve ser feita com cautela, uma vez que o desempenho foi influenciado por provisões que não acompanharam plenamente a evolução dos ativos problemáticos.
Além disso, a originação de crédito voltou a decepcionar no trimestre, limitando o potencial de expansão das receitas. Embora tenha sido observada uma melhora nas tendências da receita líquida de juros — tanto com clientes quanto no mercado — o impacto positivo deve ser contido pela pressão das provisões ao longo de 2026.
Outro fator que contribuiu para a leitura mais negativa foi a ausência de ganhos adicionais com despesas operacionais e carga tributária, que haviam sustentado os resultados em trimestres anteriores, mas não se repetiram no início de 2026.
Diante desse cenário, o Safra reiterou sua recomendação neutro para o Santander, com preço-alvo de R$ 41, citando perspectivas de crescimento mais limitadas em comparação com outros bancos do setor.
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