A construção civil no Brasil enfrenta um novo choque de custos impulsionado pela alta dos preços de energia, combustíveis, logística e insumos petroquímicos, em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, segundo avaliação do FGV IBRE.
Levantamentos com fabricantes de materiais indicam reajustes generalizados já em vigor ou em implementação, o que torna o repasse de custos praticamente inevitável ao longo da cadeia produtiva da construção civil.
O impacto já começa a aparecer nos indicadores oficiais. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 1,04% em abril, acelerando frente ao avanço de 0,36% em março. O grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços foi o principal responsável pela alta, com variação de 1,35%, especialmente em materiais estruturais, enquanto os custos de mão de obra aumentaram 0,61%.
A pressão sobre a construção civil também deve se refletir no médio prazo. Estimativas indicam que o choque pode adicionar cerca de 3,9 pontos percentuais ao INCC em 2026, levando o índice para aproximadamente 9,7% no ano.
Impactos do choque de custos entre segmentos da construção civil
Na avaliação de analistas do Bradesco BBI e da Ágora Investimentos, o choque de custos implícito supera em cerca de 50% o que vinha sendo considerado nos orçamentos das empresas do setor.
“O choque de custos implícito é quase 50% superior ao que as empresas vinham sinalizando em seus orçamentos”, afirmam os analistas, destacando que o movimento deve afetar negativamente o sentimento dos investidores no curto prazo.
Segundo os analistas, a pressão não atinge todos os segmentos da construção civil da mesma forma. As empresas voltadas à baixa renda são as mais expostas, com destaque para Cury e Plano & Plano, que apresentam maior risco de revisões negativas nas estimativas. Já Direcional e Tenda aparecem como relativamente menos vulneráveis no curto prazo.
No segmento de média e alta renda, o impacto tende a ser mais moderado, uma vez que parte dos recebíveis é indexada ao INCC, o que permite repasse parcial da inflação de custos. Ainda assim, os analistas ressaltam que essas companhias seguem pressionadas por um cenário de demanda mais fraca.
Apesar da deterioração recente, o Bradesco BBI e a Ágora Investimentos avaliam que o cenário atual ainda não se compara ao choque observado em 2021.
“Por ora, não esperamos um choque de custos na escala vista em 2021, embora as condições gerais estejam se deteriorando e impactando negativamente o desempenho das ações”, concluem os analistas.






