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Subsídio ao diesel anima importações, mas riscos crescem em petróleo e gás na América Latina

Subsídio ao diesel anima importações, mas riscos crescem em petróleo e gás na América Latina

Relatório do BTG destaca impactos de subsídios, riscos corporativos e tensão global no setor de petróleo e gás da América Latina

O setor de petróleo e gás na América Latina, segundo análise do BTG Pactual, atravessa um momento de forte influência de fatores combinados como subsídio ao diesel, riscos corporativos e tensões no mercado global de energia.

O relatório aponta que decisões regulatórias e desafios específicos de empresas como Braskem (BRKM5), Ecopetrol (EC; $E1CO34) e Petrobras (PETR3; PETR4)devem continuar impactando o desempenho das ações e a percepção de risco dos investidores na região.

Subsídio ao diesel impulsiona importações

A adesão de estados brasileiros ao programa federal de subsídio ao diesel já começa a alterar a dinâmica do mercado de combustíveis. A política prevê incentivo de R$ 1,20 por litro, dividido entre União e estados, reduzindo significativamente o custo de importação.

Na prática, o BTG avalia que o subsídio pode tornar o diesel importado até 20% mais barato, aumentando o interesse de distribuidoras independentes e tradings. Isso tende a elevar a competição com a Petrobras, especialmente em um cenário de preços internacionais ainda voláteis.

Esse movimento reforça como decisões regulatórias seguem sendo determinantes no setor de petróleo e gás, com impacto direto sobre margens, estratégias comerciais e fluxo de importação na América Latina.

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Braskem enfrenta pressão e risco de reestruturação

Outro ponto de atenção destacado pelo BTG envolve a situação financeira da Braskem. A companhia pode entrar com pedido de proteção contra credores diante de pressões de liquidez e dificuldades para renegociar sua dívida no curto prazo.

O banco aponta que pagamentos relevantes de juros e a exposição a default da subsidiária no México aumentam o risco financeiro. Com uma dívida líquida de cerca de US$ 7,5 bilhões, a empresa pode recorrer a medidas como conversão de dívida em capital ou aumento de capital.

Para o mercado de energia e petróleo e gás, o caso da Braskem sinaliza como o ambiente de spreads pressionados no setor petroquímico continua sendo um fator de risco relevante na América Latina.

Ecopetrol levanta alerta de governança

Na Colômbia, o relatório destaca preocupações crescentes com a governança da Ecopetrol. Apesar de auditoria com parecer limpo, houve restrições no acesso a informações relevantes, incluindo relatórios de gestão.

Segundo o BTG, essas limitações levantam dúvidas sobre transparência e capacidade de supervisão, além de aumentarem a percepção de risco entre investidores. Tensões internas e questões legais envolvendo a liderança também contribuem para o cenário de incerteza.

Mesmo com preços de petróleo ainda favoráveis, o banco avalia que problemas de governança podem começar a afetar a execução operacional da companhia e sua atratividade no setor de petróleo e gás na América Latina.

Cenário global adiciona volatilidade ao setor

Além dos fatores regionais, o ambiente internacional segue pressionando o mercado. O relatório menciona eventos recentes envolvendo tensões no Oriente Médio, como ataques a navios e riscos de interrupção logística.

A União Europeia já alertou para a possibilidade de volatilidade prolongada nos mercados de energia, especialmente em derivados como combustível de aviação. Embora o fornecimento de petróleo bruto não tenha sido diretamente afetado, há preocupação com gargalos localizados.

Esse contexto reforça que o setor de petróleo e gás permanece altamente sensível a eventos geopolíticos, o que amplia a incerteza para empresas e investidores com exposição à América Latina.