O Brasil passou a integrar oficialmente um movimento de bancos centrais globais em defesa do presidente do Fed, Jerome Powell, após declarações e ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A manifestação ocorreu por meio de um comunicado conjunto assinado por líderes de algumas das mais importantes autoridades monetárias do mundo.
O documento foi divulgado em meio à abertura de uma investigação criminal contra Powell, justificada pelo governo americano como relacionada à reforma da sede do Federal Reserve. Para os signatários, no entanto, o episódio vai além de uma questão administrativa e representa um risco direto à independência das instituições responsáveis pela política monetária.
Entre os participantes está o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, que se uniu a representantes da Europa, do Canadá, da Austrália e de outros países para reforçar a importância de manter os bancos centrais protegidos de pressões políticas.
A defesa da independência do presidente do Fed
No comunicado, os bancos centrais globais afirmam solidariedade ao Sistema do Federal Reserve e ao seu presidente, Jerome Powell, destacando que a independência dessas instituições é um pilar essencial da estabilidade econômica, financeira e de preços. Segundo o texto, essa autonomia é fundamental para garantir decisões técnicas voltadas ao interesse público.
Os líderes ressaltam que o presidente do Fed tem atuado com integridade, respeito ao mandato e compromisso com a população. A nota também enfatiza que qualquer tentativa de interferência política compromete a credibilidade das políticas monetárias e pode gerar efeitos negativos para a economia global.
Ao se posicionar publicamente, o Brasil reforça sua defesa institucional da autonomia do Banco Central, alinhando-se a uma visão compartilhada por autoridades monetárias de economias desenvolvidas e emergentes.
Reforma da sede do Fed e escalada de tensões políticas
O estopim do conflito foi a reforma dos prédios do Federal Reserve, um projeto de modernização de infraestrutura antiga. Integrantes do governo Trump passaram a questionar os custos da obra, classificando-os como excessivos e sugerindo irregularidades administrativas.
Powell explicou ao Congresso que as reformas eram necessárias e que os parlamentares foram informados regularmente sobre o andamento do projeto. Mesmo assim, segundo o próprio presidente do Fed, o tema teria sido usado como pretexto para ampliar a pressão política sobre a instituição.
Ele afirmou que as acusações não se relacionam à supervisão do Congresso, mas fazem parte de um contexto mais amplo de tentativas de influenciar a política de juros, especialmente em um momento de desacordo entre o Fed e o Executivo americano.
Juros, críticas públicas e o apoio do Brasil
Há meses, Donald Trump vem criticando o Federal Reserve por não reduzir os juros na velocidade desejada. O presidente defende cortes agressivos para estimular a economia, enquanto o Fed adota uma postura mais cautelosa diante dos riscos inflacionários.
As críticas se intensificaram com ataques pessoais ao presidente do Fed, inclusive em redes sociais e declarações públicas. Em um episódio sem precedentes, Trump chegou a tentar remover uma diretora da instituição no ano anterior.
Diante desse cenário, o apoio do Brasil e de outros bancos centrais globais sinaliza preocupação com os impactos sistêmicos de interferências políticas sobre a política monetária, reforçando a defesa do Estado de Direito e da estabilidade econômica internacional. Leia o comunicado na íntegra:
“13 de janeiro de 2026
Manifestamos total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell. A independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Por isso, é fundamental preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática. O chair Powell tem exercido sua função com integridade, foco em seu mandato e compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado e amplamente reconhecido por todos que trabalharam com ele.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, em nome do Conselho do BCE
Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Governadores do Danmarks Nationalbank
Martin Schlegel, presidente do Conselho de Governadores do Banco Nacional da Suíça
Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank
Michele Bullock, presidente do Reserve Bank of Australia
Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais
Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais.”
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