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Bank of America revê expectativa de cortes da taxa Selic

Bank of America revê expectativa de cortes da taxa Selic

O Bank of America revisou sua projeção para a taxa Selic e agora espera que os juros básicos encerrem 2026 em 14,25%

O Bank of America revisou sua projeção para a taxa Selic e agora espera que os juros básicos encerrem 2026 em 14,25%, acima da estimativa anterior de 13,25%. Na avaliação da instituição, o Banco Central (BC) deverá realizar apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho antes de interromper o ciclo de flexibilização monetária por um período prolongado.

A mudança reflete uma deterioração do cenário inflacionário nos últimos meses, marcada pela alta das expectativas de inflação, enfraquecimento do real e maior persistência das pressões sobre os preços. Segundo o banco, o ambiente econômico deixou de ser tão favorável quanto o observado anteriormente, reduzindo significativamente o espaço para novos cortes da taxa básica de juros.

De acordo com o relatório, a Selic poderá permanecer estável até meados de 2027, quando um eventual retorno do ciclo de redução dos juros dependeria também do início de cortes pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.

Inflação preocupa

Um dos principais fatores por trás da revisão foi a piora dos indicadores inflacionários. O Bank of America destaca que o IPCA projetado para maio atingiu 4,68%, acima dos 4,37% observados em abril.

Os núcleos de inflação, considerados medidas mais importantes para avaliar a tendência dos preços, também apresentaram aceleração. O núcleo médio passou de 4,8% para 5,3% em termos anualizados, enquanto os serviços subjacentes avançaram de 5,3% para 6,2%.

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Além disso, as expectativas do mercado continuam se afastando da meta oficial de inflação. A projeção mediana para 2026 subiu para 5,09%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 também avançaram.

Para os economistas do banco, esse movimento aumenta o desafio do Banco Central e exige uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

Economia segue resiliente

Outro fator citado no relatório é a resistência da atividade econômica brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o trimestre anterior, superando expectativas do mercado.

O banco observa, no entanto, que parte desse desempenho continua sendo sustentada por estímulos fiscais e expansão do crédito, fatores que ajudam a manter a demanda aquecida e dificultam o processo de desaceleração necessário para conter a inflação.

Na avaliação da instituição, a combinação entre crescimento resiliente e inflação elevada reduz a necessidade de novos cortes nos juros no curto prazo.

Último corte em junho

Apesar do cenário mais desafiador, o Bank of America ainda acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) realizará uma última redução de 0,25 ponto percentual na reunião de junho.

Após esse movimento, a expectativa é de que o Banco Central retire sinais que indicavam continuidade do processo de flexibilização monetária, deixando claro que a barra para novos cortes ficou mais elevada.

Segundo o relatório, as projeções de inflação permanecem acima do teto da meta até meados de 2027, reforçando a necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.

Juros altos por mais tempo

Embora os riscos para a inflação estejam concentrados para cima, o Bank of America não trabalha com a hipótese de aumento da taxa Selic. O banco argumenta que os juros reais permanecem em níveis suficientemente restritivos, próximos de 9,5%, o que tende a contribuir para a desaceleração gradual da economia ao longo dos próximos trimestres.

Ainda assim, o cenário de “juros mais altos por mais tempo” voltou a ganhar força entre os economistas da instituição. Para o banco, a combinação de inflação persistente, expectativas desancoradas e estímulos à atividade econômica reduz significativamente a possibilidade de novos cortes após junho.

Dessa forma, a próxima reunião do Copom poderá marcar não apenas o último corte da Selic em 2026, mas também o início de um longo período de estabilidade dos juros em patamares elevados.

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