A probabilidade de uma alta dos juros nos Estados Unidos em setembro passou de 68% para cerca de 80% em apenas um dia, após o petróleo Brent voltar a atingir US$ 100 por barril.
A reprecificação reflete o receio de que as tensões no Oriente Médio mantenham os custos de energia elevados e dificultem a desaceleração da inflação americana, segundo Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas.
“O principal vetor por trás dessa mudança é a inflação. A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo e aumentou o receio de que os custos de energia mantenham a inflação americana elevada por mais tempo”, afirma Cavalcante.
Por que o petróleo aumenta a chance de alta dos juros?
O encarecimento da energia pode elevar os custos das empresas e dos consumidores, prolongando a pressão sobre os preços. Nesse cenário, o Federal Reserve pode ter menos espaço para flexibilizar a política monetária e ser obrigado a manter ou elevar os juros.
As expectativas mais restritivas fortaleceram o dólar e elevaram os rendimentos dos títulos americanos. O ouro, por sua vez, recuou para US$ 4.085 por onça-troy no momento da análise da Ourominas, após superar US$ 4.140 no pregão anterior.
“O petróleo Brent voltou a atingir US$ 100 por barril, enquanto o dólar se fortaleceu e os rendimentos dos títulos americanos avançaram, combinação que aumenta o custo de oportunidade de manter ouro”, explica o especialista.
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O que pode mudar a expectativa para os juros?
A trajetória do petróleo deve continuar sendo um dos principais pontos de atenção. Caso os preços permaneçam elevados e a inflação se mostre resistente, as apostas em novos aumentos dos juros podem continuar ganhando força.
Uma desaceleração mais intensa da economia americana ou o alívio das pressões inflacionárias, entretanto, poderia reduzir a probabilidade de aperto monetário.
“Uma desaceleração mais forte da economia americana ou uma redução das expectativas de alta dos juros poderia devolver força ao ouro e abrir espaço para níveis próximos de US$ 4.500”, projeta Cavalcante.
No cenário contrário, petróleo persistentemente elevado, inflação resistente e juros maiores podem manter o ouro pressionado e reforçar a região de US$ 4 mil como referência para as negociações.






