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Bancos americanos divulgam resultados do 4º trimestre e colocam Wall Street em estado de alerta

Bancos americanos divulgam resultados do 4º trimestre e colocam Wall Street em estado de alerta

Mesmo com números robustos em parte do setor, investidores mantêm cautela após surpresa negativa do JPMorgan

Os Bancos americanos deram início à temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 em um ambiente de cautela em Wall Street. Os balanços divulgados por JPMorgan, Bank of America, Wells Fargo e Citigroup mostram um setor ainda lucrativo, mas com sinais mistos que explicam o pé atrás dos investidores após os números iniciais.

A divulgação do JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos, acabou funcionando como um balde de água fria no mercado. Apesar de um desempenho operacional sólido, um efeito extraordinário contábil reduziu o lucro reportado e aumentou a sensibilidade dos investidores em relação aos balanços seguintes. Isso fez com que os resultados dos concorrentes fossem analisados com ainda mais rigor.

JPMorgan: lucro recua, mas desempenho recorrente surpreende

O JPMorgan reportou lucro de US$ 13 bilhões no quarto trimestre, abaixo dos US$ 14 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. A queda foi provocada por um efeito extraordinário ligado ao acordo com o Goldman Sachs para assumir a parceria de cartões de crédito da Apple, fator que distorceu a leitura inicial do balanço.

Excluindo esse impacto, o lucro recorrente do banco subiu para US$ 14,7 bilhões, impulsionado principalmente pelas operações de mercado. A receita da divisão de mercados cresceu 17% no trimestre, com destaque para o segmento de ações, que avançou 40%.

“A economia dos EUA manteve-se resiliente”, afirmou Jamie Dimon, CEO do banco. Segundo ele, apesar de sinais pontuais de desaceleração no mercado de trabalho, o consumo segue firme e as empresas continuam saudáveis, sustentando a atividade bancária.

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Bank of America supera expectativas e anima investidores

O Bank of America apresentou um dos balanços mais consistentes entre os bancos americanos neste início de temporada de resultados. O banco reportou lucro de US$ 0,98 por ação, acima da expectativa de US$ 0,96, com receita total de US$ 28,53 bilhões, também superior às projeções do mercado.

O desempenho foi sustentado pelo crescimento da receita líquida de juros, que avançou 9,7%, e pela forte alta de 23% na receita com negociação de ações. Esses números ajudaram a compensar um desempenho mais fraco do esperado na área de renda fixa.

Com ações acumulando alta de 24% no ano passado, o foco agora recai sobre as projeções da administração. Analistas aguardam indicações do CEO Brian Moynihan sobre a sustentabilidade desse bom momento ao longo de 2026.

Wells Fargo cresce, mas fica abaixo do consenso

O Wells Fargo também registrou crescimento anual no lucro, mas seus resultados não atenderam totalmente às expectativas. O banco lucrou US$ 5,4 bilhões no quarto trimestre, acima do registrado em 2024, mas o ganho por ação de US$ 1,62 ficou abaixo da projeção de US$ 1,66.

A receita total somou US$ 21,29 bilhões, mostrando avanço na comparação anual. Ainda assim, a frustração com o lucro por ação levou as ações do banco a recuarem no pré-mercado de Nova York.

O desempenho reforça a percepção de que, apesar de um cenário macroeconômico relativamente favorável, nem todos os bancos americanos conseguem converter esse ambiente em resultados acima do esperado.

Citigroup tem impacto de venda na Rússia, mas avança em banco de investimento

O Citigroup registrou queda de 13% no lucro do quarto trimestre, impactado principalmente por um efeito negativo de US$ 1,2 bilhão relacionado à venda de suas operações na Rússia. O lucro somou US$ 2,47 bilhões nos três meses encerrados em 31 de dezembro, ou US$ 1,19 por ação, ante US$ 2,9 bilhões, ou US$ 1,34 por ação, no mesmo período do ano anterior.

O prejuízo decorre da venda do AO Citibank para a Renaissance Capital, aprovada pelo conselho no mês passado, e está ligado em grande parte à conversão cambial. Com isso, o retorno sobre o patrimônio líquido tangível ficou em 5,1% no trimestre, abaixo da meta de 10% a 11% projetada para o próximo ano. Desconsiderando o impacto da Rússia, o retorno teria sido de 7,7%.

Apesar do efeito negativo, o banco apresentou forte desempenho em banco de investimento. As receitas com tarifas nessa área cresceram 35% na comparação anual, alcançando US$ 1,29 bilhão, impulsionadas pela retomada das fusões e aquisições no segundo semestre. A unidade bancária do Citi também registrou alta de 78% na receita, para US$ 2,2 bilhões, com desempenho recorde em M&A em 2025.

No segmento de mercados, a receita total recuou 1% no quarto trimestre, para US$ 4,54 bilhões, em meio à volatilidade associada às expectativas sobre juros, inteligência artificial e tensões geopolíticas. Ainda assim, no acumulado do ano, a receita de mercados avançou 11%. Já a margem financeira (NII) cresceu 14% no trimestre.

Wall Street segue cautelosa à espera dos próximos balanços

Mesmo com números sólidos de parte do setor, Wall Street mantém postura defensiva. A reação aos resultados do JPMorgan aumentou a sensibilidade do mercado, que agora analisa cada balanço com lupa, em meio a incertezas econômicas e decisões judiciais relevantes nos Estados Unidos.

A leitura consolidada da temporada de resultados dos bancos americanos será fundamental para definir o rumo das ações do setor nas próximas semanas.

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