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Após Lula minimizar dívida, Alckmin defende controle de gastos para reduzir juros

Após Lula minimizar dívida, Alckmin defende controle de gastos para reduzir juros

No Macro Day do BTG Pactual, vice-presidente afirmou que governo precisa conter despesas, estimular o PIB e entregar superávits primários crescentes

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizar a dívida pública brasileira, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu o controle das despesas e classificou como “central” a melhora da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB). A declaração foi dada nesta segunda-feira (31), durante o Macro Day do BTG Pactual (BPAC11).

Alckmin também vinculou a redução dos juros ao ajuste fiscal. Embora tenha rejeitado um corte de gastos que provoque recessão, afirmou que o governo precisa “segurar a despesa”, estimular o crescimento e produzir superávits primários crescentes.

A manifestação ocorreu após a entrevistadora Amanda Klein mencionar uma declaração de Lula ao Jornal Nacional, da TV Globo. Na ocasião, o presidente disse que uma dívida próxima de 80% do PIB não seria elevada em comparação com a de países como Estados Unidos, Japão e Itália, e afirmou que o indicador não o preocupava.

“Há que se fazer um esforço para melhorar a relação dívida/PIB. Eu acho que essa questão é central. Não adianta cortar, cortar, cortar e o PIB desabar. Vou ter desemprego, recessão e não vou resolver o problema”, afirmou Alckmin.

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Alckmin defende crescimento com controle das despesas

O vice-presidente apresentou uma estratégia baseada em duas frentes: limitar o avanço dos gastos e direcionar investimentos a áreas capazes de ampliar a atividade econômica. Segundo ele, reduzir despesas sem preservar o crescimento pode frustrar o próprio ajuste fiscal.

“Tem que, de um lado, segurar a despesa e, do outro, investir naquilo que faz o PIB crescer. Esse é o segredo. E acho que há espaço para fazer isso”, declarou.

Questionado sobre como executar o ajuste em 2027, Alckmin citou as guerras, o menor crescimento global e a pressão do petróleo sobre a inflação. Ainda assim, sustentou que o Brasil pode conter despesas e crescer, apoiado por oportunidades em alimentos, energia limpa e minerais críticos.

Governo promete superávits primários crescentes

Alckmin afirmou que o governo trabalha para obter déficit primário zero neste ano e superávit no próximo. A proposta prevê resultado positivo de 0,5% do PIB, com a possibilidade de superar essa marca.

“Nós fizemos 9,7% e vamos fazer superávits primários crescentes. No ano que vem, a proposta é 0,5%. Se puder, nós vamos fazer mais de 0,5%”, disse.

O resultado primário considera receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Superávits ajudam a conter o endividamento, enquanto déficits recorrentes elevam a necessidade de financiamento.

Ao defender a meta, Alckmin comparou a situação atual com 2020, quando o déficit primário alcançou 9,7% do PIB em meio à pandemia. Para ele, a dimensão daquele resultado não pode ser explicada apenas pela Covid-19.

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Queda dos juros depende do ajuste fiscal

O vice-presidente criticou o uso dos juros para combater choques de oferta. Segundo ele, uma taxa mais alta não faz chover em períodos de seca nem reduz o preço do petróleo quando a pressão decorre de conflitos geopolíticos.

Questionado se o Banco Central teria elevado demais a taxa e se deveria reduzi-la mais rapidamente, Alckmin reconheceu o impacto do custo do dinheiro, mas condicionou o movimento ao avanço das contas públicas.

“Isso é um problemão para a economia, o custo de capital. Tem que estar associado à questão fiscal”, afirmou.

Alckmin disse ainda que seria possível melhorar a relação dívida/PIB sem aumentar impostos e citou sua experiência no governo de São Paulo.