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Selic em alta ainda por um bom tempo: como ficam os Fundos Imobiliários?

Selic em alta ainda por um bom tempo: como ficam os Fundos Imobiliários?

Vanessa Araujo

Vanessa Araujo

22 Jun 2022 às 08:40 · Última atualização: 22 Jun 2022 · 5 min leitura

Vanessa Araujo

22 Jun 2022 às 08:40 · 5 min leitura
Última atualização: 22 Jun 2022

Prédios fundos imobiliários e selic

A subida em 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros da economia, a Selic, no dia 15 de junho – que elevou de 12,75% para 13,25% ao ano -, pode ter sido a penúltima alta do ciclo de alta. 

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada em 21/06, sinaliza para um possível encerramento da sequência de aumentos já na próxima reunião, marcada para os dias 2 e 3 de agosto de 2022.

No entanto, o documento indica uma provável manutenção dos juros em alta nos próximos meses.

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, os juros devem fechar o ano de 2022 em 13,75%, permanecendo neste patamar até abril de 2023, pelo menos, a depender do desenrolar da inflação.

O que os juros em alta representam para o mercado de Fundos Imobiliários?

De acordo com Felipe Paletta, analista da Monett, embora o momento ainda seja de dúvidas com relação à continuidade dos movimentos de alta da Selic ou de uma possível “virada de mão” na política monetária brasileira, os ativos de risco, como os Fundos Imobiliários e as ações, devem ser observados com atenção. 

“Na minha leitura, e acredito que seja a mesma do mercado, é de que o Banco Central deixou claro que está próximo de encerrar o ciclo de altas. Por outro lado, em termos de economia real, estamos vivendo um ponto de auge de medo nos mercados, conforme noticiado nos jornais.

Isso porque grande parte dos impactos dos choques nas cadeias de produção e nos custos das commodities aconteceu ao longo de 2020 e 2021 e esse repasse de preço começa a ser perceptível no mercado de bens e serviços agora em 2022”, diz o analista.

Ainda de acordo com Paletta, há uma preocupação nesse momento no segmento de construção civil em relação ao volume de distratos que começam a acontecer por quem comprou um empreendimento imobiliário e teve uma perda de capacidade de pagamento. 

“É claro que existe a lei dos distratos, que gera uma camada de proteção adicional, ainda que bastante questionada no curto prazo, mas, ainda assim, é um mecanismo de proteção. Mas isso é ruim para as incorporadoras, principalmente”, avalia. 

Tá, e aí?Felipe Paletta, analista da Monett

Tá e aí? Juros em alta: o que esperar para os Fundos Imobiliários no curto prazo?

“Acredito que estamos no momento de maior estresse do mercado e isso acaba pressionando todos os ativos de risco como as ações e Fundos Imobiliários, ainda que os fundamentos estejam melhorando”, observa o analista. 

Em quais Fundos Imobiliários aplicar com a alta da Selic?

“Se acompanharmos o descompasso da distribuição de dividendos nos últimos 12 meses com o que os Fundos são capazes de distribuir no período de um ano, é possível projetar uma recomposição de preços muito rápida, especialmente nos fundos de tijolo”.

Alta da Selic: melhor hora para ter Fundos de tijolo no portfólio

“Acho que é o momento de ter fundos de tijolo no portfólio. Os fundos de papel ainda são uma opção interessante”, diz. 

“Mas, na minha visão, tomaria um pouco mais de cuidado com os Fundos Imobiliários de crédito estruturado, especialmente aqueles que dão crédito para renda baixa e média, porque esse é o que pode sofrer mais nesse momento”, complementa.

Por outro lado, ele diz, é preciso sempre fazer a conta do quanto uma possível inadimplência dos pagamentos desses CRIs, que estão dentro do portfólio do Fundo Imobiliário, representam algum risco para o investidor.

Manutenção de juros altos: oportunidades para a compra de Fundo Imobiliários

“Esse é um momento excepcional para comprar Fundos Imobiliários para o investidor que tem uma cabeça de médio a longo prazo. É possível começar já a construir uma carteira”, ele recomenda.

FIIs mais descontados nos últimos dois anos: promessa de reação 

A promessa de reação, diz Paletta, se dá especialmente para aqueles fundos que sofreram muito ao longo da pandemia, como lajes corporativas, shopping centers, e que já têm apresentado crescimento nos últimos meses, mesmo com uma economia ainda fraca.  

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