Fundos de Investimento
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Quais os impactos da Selic em alta nos fundos imobiliários (FIIs)?

Quais os impactos da Selic em alta nos fundos imobiliários (FIIs)?

Vanessa Araujo

Vanessa Araujo

08 Jun 2022 às 20:04 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 7 min leitura

Vanessa Araujo

08 Jun 2022 às 20:04 · 7 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

Prédios fundos imobiliários e selic

Quais os impactos da Selic em alta nos fundos imobiliários (FIIs)? À primeira vista, as perspectivas para os FIIs em 2022 e 2023 são estáveis, com poucas chances de grande valorização.

Isso porque em um cenário de escalada da Selic, os FIIs acabam competindo diretamente com a renda fixa, que passa a atrair o capital dos investidores, que buscam maiores rentabilidades, sem a oscilação típica da renda variável. 

No entanto, no longo prazo, a situação ganha um novo contorno, com perspectivas de bons dividendos.

Entenda o momento atual e o que se deve considerar para ter uma exposição adequada ao ativo. 

E garanta uma boa diversificação da carteira, a partir da análise dos especialistas da EQI Investimentos.

Impactos da Selic em alta nos FIIs: um impeditivo para o bom desempenho?

Na análise dos especialistas em Fundos Imobiliários da EQI Investimentos, uma recessão econômica pode impactar o ativo por dois motivos: 

  • Aumento da vacância dos imóveis, como aqueles que detém lajes corporativas ou shopping centers;
  • Piora da capacidade das empresas que emitem as dívidas compradas pelos Fundos de Papel – FII de CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) – de pagarem seus empréstimos. 

Agregado a esses fatores, um cenário de recessão também faz com que as empresas reduzam sua pretensão de investimentos, essencial para crescimento do mercado imobiliário – e, consequentemente, dos fundos.

De que forma a Selic impacta os FIIs?

A alta da Selic impacta nos preços dos fundos, uma vez que a renda fixa passa a ser uma opção imediata mais atrativa. Porém, no longo prazo, essa situação tende a ganhar um novo contorno.

“Em um cenário de elevação dos juros, os investidores procuram uma rentabilidade maior, sem a oscilação das cotas dos Fundos Imobiliários. Mas, o fato de os contratos imobiliários estarem atrelados a índices inflacionários como IGPM e IPCA faz com que em um horizonte de 3 ou 4 anos, seja possível o pagamento de bons dividendos. Isso irá retomar a atratividade dos FIIs”, explica Elias Wiggers, Assessor da EQI Investimentos.

foto mostra calculadora e papel de cálculos

FIIs: o que esperar em 2022 e 2023?

Conforme as projeções atuais, a perspectiva para 2022 é que a taxa de juros continue na casa dos dois dígitos

Este cenário deve fazer com que o mercado de Fundos Imobiliários continue com captações, porém, em ritmo menor do que o visto em 2021. 

“As perspectivas em 2022 e 2023 são ainda estáveis, com poucas chances de valorização”, observa Wiggers.

Ao mesmo tempo, especialistas de mercado apontam que os FIIs Agro vêm apresentando boa aceitação este ano e podem ser boas opções para diversificar investimentos.

Já para 2023, algumas projeções apontam uma Selic abaixo de 10% – conforme relatório Focus do Banco Central – que estima uma média de 8,75% para o ano.  

Caso essa perspectiva se confirme, a demanda por fundos imobiliários deve voltar a ter um incremento significativo. 

No entanto, especialistas ponderam que essa recuperação também dependerá do acompanhamento de pontos regulatórios – como a possível tributação de dividendos – e a metodologia para distribuição dos rendimentos dos fundos. 

Impactos da Selic em alta nos fundos imobiliários: vale a pena investir agora? 

O retorno do investimento em FII depende de duas variáveis: 

  • Dividendos;
  • Valorização da cota no mercado secundário. 

Especialistas analisam que os dividendos podem, de fato, ser impactados pela recessão econômica. Já o valor da cota depende da demanda do fundo pelos investidores, que leva em consideração, além dos dividendos, outras questões.

“Os investidores sempre analisam uma série de fatores específicos em cada FIIs, como localização, inquilinos, etc. Além disso, também é preciso observar a expectativa de uma retomada econômica e o arrefecimento das pressões inflacionárias, entre outros pontos”, avalia o assessor.  

O especialista da EQI lembra ainda que de modo geral, os FIIs atrelados ao consumo, como shopping centers e hotéis, e, também, os fundos de lajes corporativas estão, naturalmente, mais descontados, em razão da pandemia. 

“Esses fundos ainda não tiveram uma recuperação plena e, quando estavam começando a se recuperar, veio a questão da inflação global, o que recai com um pouco mais de peso sobre esses ativos”, comenta Wiggers. 

Seja como for, especialistas do mercado ressaltam que algumas características dos Fundos Imobiliários fazem com que, apesar do cenário de 2022, eles continuem sendo boas opções de investimento. 

Entre elas, está a isenção dos dividendos do Imposto de Renda. Além disso, os especialistas também observam que alguns Fundos estão com rendimentos superiores à Selic. 

Impactos da Selic em alta nos fundos imobiliários: quando o investidor deve ver uma melhora?

Os analistas do mercado destacam que as classes de Fundos têm comportamentos diferentes.

Embora exista alguma desvalorização em determinados ativos, o cenário permanece positivo de modo geral. 

Um estudo realizado pela EQI Asset, mostra que as captações continuam, mesmo que em volume menor: no período de novembro 2021 a fevereiro 2022, foram concluídas 18 emissões totalizando R$ 3,2 bilhões, sendo o destaque os fundos de recebíveis (CRI) que representaram 81% deste volume. 

Entretanto, ainda é cedo para precisar quando os preços dos fundos no mercado secundário irão se recuperar. 

Muitos Fundos estão com desconto frente a sua cota patrimonial, ou seja, o valor dos ativos dentro do fundo está superior ao preço de mercado negociado. Isso é um sinal que investidores estão receosos quanto a esse tipo de ativo. 

alavancagem em FIIs: arranha-céus comerciais lado a lado

FIIs: há janela para compra?

Especialistas concordam que a atratividade dos FIIs se sustenta para os investidores que pensam em horizonte de médio a longo prazo. 

De acordo com eles, existem atualmente fundos baratos com bons ativos em suas carteiras e pagando bons dividendos. 

Exemplo recorrente são alguns fundos de tijolo, que o valor da cota não representa o valor dos imóveis ou o custo de reposição para se comprar imóvel de mesmas características. 

Ainda observando o cenário atual, há uma resiliência dos FIIs de CRI, uma vez que também possuem em suas carteiras ativos indexados ao CDI

“Existe, sim, janela para compra, mas, é preciso analisar, pontualmente, uma série de outros fatores entre eles econômicos e específicos de cada FIIs”, finaliza Elias Wiggers. 

A retomada das Criptos?
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias