O BTG Pactual manteve recomendação de compra para as ações da XP (XP; XPBR31) com preço-alvo de US$ 25, após a companhia reportar resultados do primeiro trimestre de 2026 abaixo das expectativas do mercado.
Receita líquida, EBT e lucro líquido vieram aproximadamente 3% abaixo do consenso, em grande parte pela marcação negativa a mercado de posições de crédito em carteira decorrente do alargamento de spreads em março.
O lucro líquido totalizou R$ 1,318 bilhão, alta de 7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 3% na comparação trimestral, com ROE de 21,7%. A análise foi assinada pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
Spreads de crédito em março pesam no trimestre
O principal vetor negativo do trimestre foi o impacto de marcação a mercado das posições de crédito mantidas em carteira.
“O resultado refletiu o impacto negativo de marcação a mercado decorrente do alargamento de spreads de crédito em março sobre posições warehoused”, explicam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
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A receita de renda fixa no varejo caiu cerca de 20% na comparação trimestral, mais do que compensando a recuperação de renda variável. Os serviços de emissão também decepcionaram, recuando tanto em relação ao 4T25 quanto ao 1T25.
Em sentido contrário, as receitas do segmento Corporate superaram o consenso em aproximadamente 20%, apoiadas por forte crescimento anual, enquanto o Institucional veio 4% acima, beneficiado pela maior volatilidade de mercado.
“Excluindo o impacto pontual do alargamento de spreads no 1T26, o crescimento da linha de topo teria ficado na faixa de baixos dois dígitos”, estimam os analistas.
Novo CFO e reorganização das divisões de negócio
O trimestre também trouxe mudanças relevantes na estrutura da companhia. A XP anunciou a chegada de Gustavo Alejo, ex-CFO do Santander Brasil, em substituição a Victor Mansur, que permanecerá no Conselho de Administração.
“O movimento reflete a crescente exposição da XP a negócios mais orientados para banking e com maior uso de balanço”, avaliam os analistas do BTG, para quem a troca faz sentido estratégico. Mansur tem mais de 15 anos de casa e deve apoiar a transição e futuras iniciativas estratégicas.
Paralelamente, a companhia reorganizou suas linhas de negócio em dois segmentos principais: Varejo, representando 77% da receita, e Wholesale, com 23%, incorporando o negócio Institucional e eliminando a linha Outras Receitas, que perdeu relevância ao longo do tempo.
“O objetivo é oferecer aos investidores uma visão mais clara e intuitiva da estrutura operacional e da geração de receitas da companhia”, destacam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Valuation atrativo, mas macro dificulta rerating
Apesar do resultado fraco, o BTG mantém a visão positiva.
“As ações da XP permanecem com valuation atrativo, negociando a 8,6x os lucros dos últimos 12 meses, o que é a principal razão pela qual seguimos com recomendação de compra”, afirmam os analistas.
A companhia anunciou R$ 500 milhões em dividendos a serem pagos em junho e um novo programa de recompra de R$ 1 bilhão, totalizando cerca de R$ 2,5 bilhões em distribuições aos acionistas no ano — yield de aproximadamente 5,5%. Ainda assim, o banco pondera os riscos:
“Com ativos de risco brasileiros em queda desde março, juros provavelmente recuando em ritmo mais lento e DCM ainda fraco no 2T26, entregar o crescimento de dois dígitos reiterado pela gestão parece cada vez mais desafiador”, concluem Rosman, Buchpiguel e Pascale.
O papel é descrito como um “beta mais elevado nos mercados de capitais brasileiros”, dependente de um ambiente macro mais construtivo para se revalorizar de forma sustentável.
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