Home
Notícias
Ações
SmartFit: resultados fracos da BlueFit destacam consolidação no setor de academias

SmartFit: resultados fracos da BlueFit destacam consolidação no setor de academias

Desaceleração de receita e queda de margens da quarta maior rede do país evidenciam diferencial competitivo da SmartFit no primeiro trimestre de 2026

A SmartFit (SMFT3) ganhou um novo ponto de comparação competitiva após a divulgação dos resultados da BlueFit, quarta maior rede de academias do Brasil. Os números do primeiro trimestre de 2026 da rival, ainda não listada em bolsa, mostraram desaceleração no crescimento da receita e forte pressão sobre as margens.

O ponto central para o investidor está no contraste entre as duas redes, que operam o mesmo segmento sob modelos comerciais distintos.

Para o Bradesco BBI, a leitura dos números da BlueFit reforça a tese de que o modelo de negócios da SmartFit, ancorado em vendas diretas e na internalização do TotalPass, tende a preservar margens mais robustas em meio às pressões competitivas.

O banco avalia que esse diferencial reduz o risco da tese de investimento na companhia listada e favorece o movimento de consolidação do setor brasileiro de academias.

Publicidade
Publicidade

Receita perde tração

A BlueFit reportou crescimento de receita de 20% no comparativo anual no primeiro trimestre de 2026, ritmo bem abaixo dos 33% observados no quarto trimestre de 2025.

A desaceleração ocorreu mesmo com avanço de 30% no número de academias próprias na mesma base de comparação, o que indica que a expansão acelerada não foi capaz de compensar a perda de produtividade por unidade. Indicadores operacionais centrais para o modelo de academias, como o número de alunos por unidade e a receita líquida por academia, apresentaram deterioração no período.

A rede inaugurou 40 novas unidades nos últimos doze meses, sendo três delas no primeiro trimestre de 2026, com concentração nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Apenas no quarto trimestre de 2025, a BlueFit havia aberto 29 academias próprias, movimento que naturalmente pesa sobre a rentabilidade da operação enquanto essas unidades ganham escala e atingem o ponto de equilíbrio.

Margens em forte recuo

A pressão sobre a rentabilidade aparece de forma clara nos demonstrativos da BlueFit. O lucro bruto nominal ficou praticamente estável na comparação anual, ao mesmo tempo em que a margem bruta reportada recuou 6,3 pontos percentuais.

O resultado se traduziu em queda do lucro bruto por unidade, métrica que ajuda a medir a saúde operacional de cada academia da rede.

Na linha do Ebitda, a margem caiu 6 pontos percentuais no mesmo intervalo, o que coloca a operação em um patamar de rentabilidade bem mais apertado que o observado um ano antes.

A própria BlueFit atribuiu o desempenho mais fraco à combinação entre a forte expansão recente, o aumento dos investimentos em marketing e a ampliação da estrutura corporativa necessária para suportar o crescimento. Para o Bradesco BBI, no entanto, a explicação dada pela companhia é insuficiente para captar o conjunto de pressões enfrentadas pela rede no trimestre.

“Embora reconheçamos que a maturação da recente expansão, com 29 novas academias próprias abertas apenas no quarto trimestre de 2025, ajude a explicar parte da pressão sobre a rentabilidade, acreditamos que o avanço dos agregadores também vem impactando negativamente a rentabilidade das unidades, evidenciado pela deterioração relevante da margem bruta”, apontou o banco.

A BlueFit opera exclusivamente com o Wellhub no segmento de agregadores, modelo que difere da estratégia adotada pela SmartFit.

Leia também:

Vantagem da SmartFit

A comparação com a SmartFit é o ponto central da análise. A companhia listada combina vendas diretas de planos com a operação interna do TotalPass, plataforma de benefícios corporativos adquirida pela rede e integrada à operação principal. Esse modelo difere da estrutura adotada pela BlueFit e por boa parte das redes médias do mercado, que dependem fortemente de plataformas de terceiros para gerar fluxo nas unidades e enfrentam, segundo os analistas, condições comerciais menos favoráveis nesse canal.

“O desempenho da SmartFit no primeiro trimestre de 2026 se mostra comparativamente mais resiliente, reforçando nossa visão de que a combinação entre vendas diretas e a internalização do TotalPass tende a sustentar uma rentabilidade das unidades mais robusta e favorecer a consolidação do setor”, destacou o Bradesco BBI.

Os analistas tratam esse diferencial competitivo como um elemento de proteção da tese de investimento em SMFT3. Para o banco, a fragilidade demonstrada por um competidor com mais de 200 unidades e posição consolidada entre as maiores redes do país funciona como evidência adicional do potencial de captura de mercado da SmartFit nos próximos trimestres, especialmente em regiões em que a BlueFit havia liderado o ritmo de aberturas.

“Esse diferencial se torna particularmente relevante como fator de redução de risco da tese, especialmente diante das pressões de margem mais intensas observadas em um player relevante do setor, com mais de 200 unidades e posição consolidada entre as maiores redes do país”, concluiu o relatório.

A leitura do Bradesco BBI é de que o avanço dos agregadores e o aumento da concorrência no segmento de academias devem continuar a separar os modelos com canais próprios fortes daqueles que dependem de plataformas externas para sustentar o fluxo de alunos.

A pressão sobre as margens de competidores de grande porte, segundo o banco, tende a acelerar movimentos de consolidação no setor brasileiro nos próximos trimestres.