A Usiminas (USIM5) pode ter um importante catalisador escondido em seu balanço capaz de impulsionar o Fluxo de Caixa Livre (FCF) nos próximos meses. Segundo o Itaú BBA, a siderúrgica possui um verdadeiro “tesouro” fiscal relacionado a benefícios retroativos de Juros sobre Capital Próprio (JCP), potencial que o mercado ainda estaria subestimando.
De acordo com relatório do banco, uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), divulgada em janeiro, abriu espaço para que empresas deduzam, para fins de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), valores de JCP referentes a exercícios anteriores.
Na prática, isso significa que as companhias podem registrar ou pagar JCP “atrasado” de anos passados e utilizar esses montantes como despesas dedutíveis, reduzindo a carga tributária atual.
Créditos potenciais
No caso da Usiminas, o Itaú BBA destaca que os créditos potenciais remontam a 1996. Com isso, o banco estima que o benefício fiscal total possa variar entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3,6 bilhões.
Segundo os analistas, o montante equivale entre 15% e 32% do valor de mercado atual da siderúrgica, o que reforça o potencial de geração adicional de caixa para a companhia nos próximos trimestres.
O banco avalia que o tema pode se tornar um importante vetor para o desempenho financeiro da Usiminas, especialmente em um momento em que investidores seguem atentos à geração de caixa e à disciplina financeira das empresas do setor de aço.
Além do efeito positivo sobre o Fluxo de Caixa Livre, os benefícios fiscais também podem ampliar a flexibilidade financeira da companhia, favorecendo distribuição de proventos, redução de endividamento ou novos investimentos.
A decisão do STJ vem sendo monitorada de perto pelo mercado, uma vez que abre precedente relevante para diversas empresas brasileiras com histórico de utilização de Juros sobre Capital Próprio em exercícios passados. Contudo, a Usiminas aparece entre os casos de maior potencial financeiro destacado pelos analistas do Itaú BBA.
Balanço no 1ºTRI
A Usiminas registrou lucro líquido de R$ 896 milhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 166% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O Ebitda ajustado consolidado atingiu R$ 653 milhões no período, representando retração de 11% na comparação anual. Já a receita líquida totalizou R$ 5,871 bilhões, queda de 14% frente ao primeiro trimestre do ano passado.
Apesar do forte crescimento do lucro, os indicadores operacionais mostraram desaceleração na base anual. As vendas de aço somaram 1,007 milhão de toneladas entre janeiro e março, redução de 8% na comparação com o 1T25. No segmento de mineração, as vendas de minério de ferro alcançaram 1,946 milhão de toneladas, recuo de 12% no mesmo comparativo.
Leia também:






