Home
Notícias
Negócios
Lucro líquido da Usiminas (USIM5) salta 166% no 1T26 com câmbio

Lucro líquido da Usiminas (USIM5) salta 166% no 1T26 com câmbio

Ganhos cambiais líquidos e benefício fiscal impulsionaram resultado da siderúrgica mineira no primeiro trimestre, mesmo com recuo da receita operacional e menor volume

A Usiminas (USIM5) reportou lucro líquido de R$ 896 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 166% na comparação com o mesmo período de 2025.

O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 653 milhões, queda de 11% ano a ano, enquanto a receita líquida recuou 14%, para R$ 5,871 bilhões.

Contudo, o desempenho operacional arrefeceu na base anual. As vendas de aço totalizaram 1,007 milhão de toneladas, recuo de 8% frente ao 1T25, e as de minério de ferro somaram 1,946 milhão de toneladas, queda de 12%.

A expansão do lucro foi sustentada pelo resultado financeiro, que avançou 443% ano a ano para R$ 110 milhões, impulsionado por ganhos cambiais líquidos de R$ 101 milhões, e pelo benefício tributário de R$ 412 milhões no imposto de renda e contribuição social, ante despesa de R$ 122 milhões no 1T25.

Publicidade
Publicidade

Balanço da Usiminas 1T26: Antidumping muda cenário

A siderúrgica destacou o impacto das medidas antidumping aplicadas pelo governo brasileiro em fevereiro sobre as importações de aços laminados a frio e revestidos. A medida, aguardada há anos pelo setor, gerou antecipações de compras e um pico pontual de internações no mês, elevando temporariamente os estoques de material estrangeiro.

“Avaliamos que esses estoques de material importado seguem para uma normalização nos próximos meses, à medida que o efeito das antecipações se dissipa e o novo patamar de custos das importações passar a vigorar de forma plena”, afirmou a administração no release de resultados.

No mercado interno da siderurgia, o segmento automotivo ampliou sua participação no volume vendido, de 27,1% no quarto trimestre de 2025 para 33,0% no 1T26. A produção de aço bruto na planta de Ipatinga foi de 729 mil toneladas e a de laminados, 1,011 milhão de toneladas.

Mineração recua

Na mineração, a produção caiu 10,2% frente ao 1T25, para 1,927 milhão de toneladas, afetada por chuvas intensas que reduziram a eficiência operacional.

As vendas do segmento retrocederam 12,2% no mesmo intervalo.

O cash cost subiu para R$ 137,8 por tonelada, pressionado pela menor diluição de custos fixos.

Leia também:

Caixa e projeções

A companhia encerrou março com caixa líquido de R$ 391 milhões. Caixa e aplicações totalizaram R$ 6,691 bilhões, ante dívida bruta de R$ 6,300 bilhões, com alavancagem de -0,20x (dívida líquida/Ebitda ajustado) ante 0,71x no 1T25. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 84 milhões, mesmo com CAPEX de R$ 285 milhões, alta de 30% na comparação anual.

Para o próximo trimestre, a administração projeta estabilidade no Ebitda consolidado ajustado. Na siderurgia, a expectativa é de volumes estáveis, com custos mais altos em matérias-primas, energia e fretes, compensados por melhor receita por tonelada. Na mineração, a previsão aponta para maiores volumes, mas com custos elevados em fretes marítimos.

“A alta nos preços do petróleo e do gás natural, o avanço da inflação e a redução mais lenta das taxas de juros compõem um ambiente de incerteza, agravado ainda pelo risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, principalmente no transporte marítimo de mercadorias”, projetou a administração, citando os desdobramentos da Guerra do Irã como pressão adicional sobre a economia brasileira e internacional.