Os índices de cobertura de crédito do Nubank (ROXO34) avançaram no primeiro trimestre de 2026, mas o quadro exige leitura cuidadosa. É o que aponta análise do banco Safra, assinada pelo analista Daniel Vaz, que avalia em profundidade a dinâmica de provisões e a composição da carteira do banco digital brasileiro.
Segundo o analista, o aumento de provisões registrado no período não reflete necessariamente uma piora inesperada na qualidade do crédito.
“O aumento de provisões no 1T26 reflete em grande parte a mecânica de migração de estágios do IFRS-9, e não um buffer discricionário”, afirma Daniel Vaz. Pela norma contábil, quando exposições migram do chamado Stage 1 para o Stage 2, a exigência de cobertura cresce aproximadamente sete vezes — e o modelo funciona de forma automática, sem decisão discricionária da gestão.
O comportamento sazonal também ajuda a explicar o salto.
“Todo primeiro trimestre da série mostra o mesmo comportamento: um pico acentuado de 12% a 13% no custo de risco do Stage 2, seguido por níveis abaixo de 3% ao longo do restante do ano”, observa o analista. O 1T26 segue esse padrão, com apenas leve inclinação acima dos anos anteriores.
Aumento estrutural
O ponto de atenção, no entanto, está em um indicador específico: a razão de migração de Stage 2 para Stage 3, que atingiu o pico do ciclo no trimestre.
Para Vaz, isso “pode indicar que o aumento de provisões pode ser mais estrutural do que sazonal” — um sinal que merece acompanhamento nos próximos trimestres.
No fundo, o movimento reflete uma escolha estratégica do Nubank. A instituição vem reequilibrando sua carteira em direção a segmentos de maior margem líquida de juros (NIM), com o crédito lastreado em FGTS acelerando o viés para produtos sem garantia.
O resultado é uma carteira mais rentável, mas que naturalmente exige mais provisões. Ainda assim, o NIM ajustado ao risco permanece próximo de 10%, dentro da faixa histórica.
“O risco incremental foi remunerado via NIM, e não por deterioração da economia unitária”, destaca Daniel Vaz.
O principal risco negativo identificado pelo analista não é o nível atual de provisões, mas uma eventual desaceleração forçada na originação de crédito — dado que a carteira tem duração curta, entre dois e sete meses dependendo do produto.
Pelo lado positivo, a participação do chamado float no lucro bruto subiu para 41% no trimestre, “seguindo como o caminho mais limpo para aumentar retornos marginais à medida que esse capital é alocado em crédito”, conclui Vaz.
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