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Tupy muda comando do conselho e BTG vê avanço em governança

Tupy muda comando do conselho e BTG vê avanço em governança

Gueitiro Genso, que presidiu o conselho entre 2019 e 2021, é o indicado para a vaga e precisa ser eleito em assembleia extraordinária

O BTG Pactual viu na troca de comando do conselho da Tupy (TUPY3) e na proposta de reforma do estatuto um avanço concreto de governança, tema que por anos pesou sobre as ações. O banco manteve a companhia como sua principal escolha (top pick) no setor automotivo, com recomendação de compra.

O preço-alvo de R$ 24 para os próximos 12 meses indica potencial de valorização de 50,1% sobre a cotação de R$ 15,99 considerada no relatório. Com o dividend yield projetado de 1,4%, o retorno total estimado chega a 51,5%.

Renúncia e sucessão no conselho

A Tupy informou na segunda-feira (28) que Jaime Luiz Kalsing vai deixar os cargos de membro e presidente do conselho de administração por motivos pessoais. Para a sucessão, o colegiado propôs Gueitiro Matsuo Genso, atual vice-presidente de Estratégia, que assume a presidência se for eleito em Assembleia Geral Extraordinária (AGE).

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A mesma assembleia vai analisar a reforma do estatuto social, com critérios de elegibilidade para conselheiros e diretores estatutários. Foi esse ponto que mais chamou a atenção do banco.

“Vemos a proposta de forma positiva, porque ela resolve uma das preocupações de governança que pesaram sobre as ações no passado”, afirmaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.

A saída de Kalsing vale em até 60 dias ou na posse do sucessor, o que ocorrer primeiro. Depois disso, ele passa a integrar o Comitê de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade (CEISus) como membro externo, sem assento no conselho.

Um nome conhecido na companhia

Genso não chega de fora. Ele presidiu o conselho da Tupy entre 2019 e 2021, passou pelo CEISus e, desde 2024, integra a diretoria estatutária, onde já atuou como diretor de relações com investidores e presidente interino.

Para o BTG, a troca se soma à transição de gestão mais ampla que o banco havia destacado em relatório anterior. A experiência do indicado em cargos executivos e em conselhos pesa a favor da escolha.

“As mudanças reforçam nossa visão de que a Tupy avança no fortalecimento da estrutura de governança e na melhoria da qualidade e da independência das decisões”, avaliaram os analistas.

A mexida no conselho, no entanto, veio acompanhada de uma série de trocas na diretoria executiva, anunciadas no mesmo dia.

Dança das cadeiras na diretoria

O conselho aprovou o encerramento antecipado do mandato de Ricardo Sendim Fioramonte como vice-presidente Comercial, a partir de 1º de outubro. Ele segue na empresa para apoiar as negociações comerciais em andamento e a passagem das funções.

Cristian Malevic, hoje vice-presidente da unidade de Energia e Descarbonização, assume a área Comercial até o fim do mandato atual. Durval Graça Junior, da diretoria de Engenharia e Produto, comanda de forma interina a unidade deixada por Malevic.

Na área de suprimentos, Toni Marcelo Zampieri Bueno renunciou ao cargo de vice-presidente de Compras e Logística, como informado na semana passada. Luciano Boiko, vice-presidente de Operações, responde interinamente por Compras, Logística e Planejamento de Vendas e Operações.

“Embora o número de trocas mostre que a Tupy ainda atravessa uma transição mais ampla, os critérios de elegibilidade e a mudança na presidência do conselho são passos construtivos em governança”, escreveram Marquiori, Recchia e Alkmim.

Top pick no setor automotivo

O banco liga os anúncios à decisão recente de elevar a recomendação para a Tupy. Na leitura dos analistas, a governança deixa de ser um freio e passa a reforçar a tese.

“O avanço contínuo na governança, junto com a transição da gestão, deve ajudar a reduzir o peso que o tema historicamente exerceu sobre as ações”, apontaram os analistas do BTG Pactual.

Os números projetados ajudam a explicar o otimismo. O BTG estima Ebitda de R$ 649 milhões em 2026 e de R$ 1,154 bilhão em 2027, quando a companhia deve sair do prejuízo de R$ 13 milhões previsto para este ano e lucrar R$ 358 milhões.

Com isso, a Tupy negocia a cerca de 4 vezes o múltiplo EV/Ebitda (valor da firma sobre Ebitda) projetado para 2027. O banco ainda enxerga melhora no mercado de veículos pesados da América do Norte, principal motor da demanda da empresa.

“Somado à melhora da dinâmica macro e a um valuation atrativo, vemos um cenário convincente para a Tupy”, observaram.

O mercado parece ter concordado. As ações chegaram a subir mais de 3% nesta terça-feira (29), um dia depois do anúncio, perto da máxima de R$ 16,70 registrada nas últimas 52 semanas.