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Eleição pode mexer com Petrobras, mas não com fundamentos, diz BTG

Eleição pode mexer com Petrobras, mas não com fundamentos, diz BTG

Banco espera ações mais voláteis até a eleição, mas vê investimentos, produção e preços de combustíveis preservados seja qual for o resultado

As eleições devem sacudir as ações da Petrobras (PETR4), mas dificilmente vão mexer nos números da companhia. Essa é a leitura do BTG Pactual, que manteve a estatal como principal aposta (top pick) do setor de petróleo e gás no Brasil em relatório publicado nesta segunda-feira (28).

Ciclos eleitorais costumam trazer mais oscilação aos papéis. Desta vez, contudo, o banco não espera mudanças relevantes em investimentos (capex), custos operacionais (opex), produção, política de preços de combustíveis e alocação de capital. Geração de caixa e dividendos, portanto, tendem a ser preservados.

“Não acreditamos que um resultado eleitoral, em qualquer direção, vá mudar os fundamentos da Petrobras no curto e no médio prazo”, afirmaram os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual.

Com os fundamentos estáveis, o que passa a pesar é o preço. Segundo o banco, a percepção de risco-país é hoje o principal motor da ação, e o investidor deve se preparar para movimentos fortes nos dois sentidos.

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Queda de 15% abriria janela de compra

Para medir esse efeito, os analistas simularam como os indicadores de valuation mudariam com diferentes variações no preço, tanto na B3 quanto nos recibos de ações negociados em Nova York (ADRs). As premissas de geração de caixa ficaram praticamente iguais.

Com correção de 15%, o retorno do fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE yield, na sigla em inglês) dos próximos 12 meses chegaria a 20%. Com queda de 20%, a 21,2%. Nesses níveis, segundo o BTG, a ação ficaria atraente para a maioria dos investidores, o que tende a criar um piso.

No caminho oposto, uma alta de 20% levaria a ação local de R$ 48,70 para R$ 58,50. O retorno com dividendos (dividend yield) dos próximos 12 meses cairia para 9,9%, e a distância em relação às grandes petroleiras globais encolheria, reacendendo o debate sobre valuation.

Hoje, essa diferença ainda é larga. Para 2027, o banco estima retorno de caixa ao acionista de 14,5% para a Petrobras, acima de Repsol (13,5%), Shell (12,3%) e Eni (10,7%). A Exxon fica em 7,8%, e a colombiana Ecopetrol, em 5%.

Três cenários para a estatal

O banco também testou quanto o valor da companhia poderia mudar com diferentes resultados operacionais e de alocação de capital. O exercício leva em conta a produção acima da meta (guidance) de 2026, o custo de extração (lifting cost) menor, a boa utilização das refinarias e o balanço saudável.

No cenário-base, o preço-alvo é de R$ 65 por ação, com custo de capital próprio de 17,5% e aderência de 98% à paridade de preços de importação (PPI). Os investimentos cairiam de US$ 20,1 bilhões em 2027 para US$ 8,6 bilhões em 2031.

Nessa trajetória, os dividendos subiriam de US$ 13,3 bilhões em 2027 para US$ 18,2 bilhões em 2031. O retorno de caixa ao acionista passaria de 14,1% para 19,7% no mesmo intervalo.

Otimista: preço-alvo de R$ 83

No cenário mais favorável, o preço-alvo sobe para R$ 83. A conta inclui corte gradual de US$ 250 milhões por ano nas despesas gerais, de vendas e administrativas (SG&A, na sigla em inglês), até somar US$ 1 bilhão, e preços de combustíveis 100% alinhados ao mercado internacional.

Entram ainda US$ 8 bilhões em venda de ativos entre 2028 e 2030 e redução de 2 pontos percentuais no custo de capital próprio, para 15,5%. O ganho viria de execução melhor, com a entrada em operação mais rápida das plataformas flutuantes de produção (FPSOs) e mais previsibilidade sobre preços e uso do caixa.

O BTG faz, no entanto, uma ressalva sobre cortes de investimento. Na visão do banco, o cenário mais construtivo é aquele em que a companhia mantém os projetos de alto retorno do pré-sal e fica mais seletiva com o capital aplicado fora desse núcleo.

“Um capex menor pode elevar o fluxo de caixa ao acionista no curto prazo, mas cortar projetos com economia atraente também pode reduzir o valor presente líquido no longo prazo”, ponderaram Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.

Pessimista: preço-alvo de R$ 42

No cenário negativo, que o banco considera improvável, o preço-alvo cai para R$ 42. A conta supõe alta gradual de US$ 250 milhões por ano no SG&A, até US$ 1 bilhão, e aderência de 90% à paridade internacional.

Os investimentos ficariam US$ 1,5 bilhão maiores por ano entre 2027 e 2031, e o custo de capital próprio subiria 2 pontos, para 19,5%. Atrasos em reajustes de combustíveis e em FPSOs, custos acima do previsto e capital em projetos de menor retorno estão entre os riscos listados.

Ainda assim, seria uma perda gradual de retorno, e não uma ruptura da estratégia. Nesse quadro, o retorno com dividendos ficaria em 9% ao ano, em média, em 2027 e 2028, contra cerca de 10% no cenário-base e 12% no otimista.

“Embora nossos cenários incorporem mudanças em diversas variáveis, não esperamos que todas se materializem ao mesmo tempo, nem necessariamente que se materializem”, disseram os analistas.

O histórico da estatal, segundo os analistas, mostra que mudanças costumam demorar a sair do papel. O BTG mantém recomendação de compra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 26, potencial de alta de 24,8% sobre a cotação de US$ 20,84.

Somado o retorno com dividendos projetado de 9,9%, o ganho total estimado chega a 34,6%. Para 2026, o banco projeta lucro líquido de US$ 33,694 bilhões e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 68,603 bilhões.